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União Europeia busca acordo com o Brasil para exploração de minerais estratégicos, afirma von der Leyen

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou nesta sexta-feira (16) que a União Europeia pretende firmar um acordo com o Brasil voltado à exploração de minerais considerados estratégicos para a transição energética, como lítio, níquel e terras raras. Segundo ela, a iniciativa tende a ser vantajosa para ambos os lados, embora não tenham sido apresentados detalhes sobre o formato do tratado.


Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A fala ocorreu durante o discurso que marcou a celebração do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, cuja assinatura está prevista para este sábado (17), no Paraguai. De acordo com von der Leyen, o entendimento em discussão teria caráter político e abriria caminho para investimentos conjuntos nesses insumos essenciais às transições energética e digital.

A dirigente europeia ressaltou que a proposta do bloco difere de outras iniciativas internacionais e busca garantir autonomia mútua em um cenário global no qual os minerais críticos passam a ser usados como instrumento de pressão geopolítica. Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, também interessados nas reservas brasileiras, ela destacou que a cooperação europeia será pautada por princípios distintos.

Von der Leyen afirmou ainda que a União Europeia se compromete a seguir elevados padrões de transparência e proteção ambiental, além de assegurar que as comunidades locais sejam beneficiadas pelos projetos. Segundo ela, a geração de valor precisa alcançar diretamente as regiões envolvidas na exploração.

O acesso a minerais críticos tem ganhado relevância no cenário internacional por sua importância para setores como tecnologia, energia e indústria aeronáutica. No caso das terras raras, a China detém cerca de metade da produção global e quase toda a capacidade de refino, o que lhe confere vantagem estratégica em disputas comerciais.

Embora possua a terceira maior reserva mundial desses elementos, o Brasil ainda tem participação limitada na produção, com apenas uma mineradora em operação no segmento. Já no caso do lítio, o país ampliou sua atuação nos últimos anos, especialmente após a abertura de uma grande mina no norte de Minas Gerais, além de outros projetos em desenvolvimento na região.

Antes do pronunciamento de von der Leyen, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também discursou no evento, mas restringiu sua fala à relevância do acordo entre Mercosul e União Europeia, sem abordar tratativas sobre minerais estratégicos. Ambos os líderes destacaram que o tratado simboliza o fortalecimento do multilateralismo e da cooperação internacional baseada na confiança entre os países.

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