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Tarcísio se irrita com declaração de Flávio e cancela visita a Bolsonaro, gerando desconforto entre aliados

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu cancelar a visita que faria ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na unidade da Polícia Militar conhecida como Papudinha, em Brasília, após uma sequência de ruídos políticos envolvendo aliados do ex-chefe do Executivo.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

A decisão evidenciou um desgaste na relação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e causou insatisfação entre bolsonaristas que articulavam o encontro.

Embora oficialmente tenha alegado conflito de agenda, interlocutores do governador afirmam que o recuo ocorreu após Tarcísio demonstrar incômodo com declarações públicas de Flávio. O senador afirmou à CNN que a visita serviria para comunicar ao governador que sua eventual candidatura presidencial estaria descartada, interpretação que desagradou o chefe do Executivo paulista.

O pedido de autorização para a visita foi feito pela defesa de Bolsonaro na segunda-feira (19) e incluía, além de Tarcísio, o ex-assessor do governador Diego Torres Dourado — irmão de Michelle Bolsonaro — e Bruno Scheid, dirigente do PL em Rondônia. Segundo pessoas próximas à ex-primeira-dama, os nomes teriam sido definidos pelo próprio Bolsonaro. O governador aceitou o convite e chegou a confirmar publicamente que faria a visita.

Durante um evento de entrega de moradias no interior paulista, na terça-feira (20), Tarcísio afirmou que iria a Brasília para prestar solidariedade ao ex-presidente, a quem chamou de amigo pessoal. Disse que pretendia oferecer apoio e verificar se Bolsonaro precisava de algo.

Horas depois, porém, a assessoria do governador divulgou nota informando o adiamento da visita, com a promessa de solicitar uma nova data. No dia seguinte, Tarcísio cumpriu agenda no interior do estado, mas evitou falar com a imprensa sobre o assunto.

Antes de desistir do encontro, o governador consultou o ministro do STF Alexandre de Moraes sobre a possibilidade de remarcação, segundo relatos de aliados. Ele só decidiu cancelar após avaliar que não haveria impedimentos judiciais para uma futura visita.

Michelle Bolsonaro e os advogados do ex-presidente, no entanto, teriam sido informados da desistência apenas após a decisão já ter sido divulgada à imprensa, o que gerou desconforto. Aliados da ex-primeira-dama criticaram a condução do episódio, especialmente a falta de definição imediata de uma nova data.

Entre apoiadores de Bolsonaro, a decisão também foi mal recebida. O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), classificou o cancelamento como um erro e defendeu que a visita teria caráter humanitário.

Segundo aliados de Tarcísio, o governador já havia sido orientado a adiar o encontro para um momento mais próximo do prazo legal para desincompatibilização do cargo, em abril, caso resolvesse disputar a Presidência — hipótese que ele nunca confirmou publicamente, embora pessoas de seu entorno trabalhem nessa possibilidade.

A declaração de Flávio foi considerada o fator decisivo para o recuo. Na avaliação do governador, o senador tentou impor uma narrativa política a uma visita que ele via como pessoal. Pessoas próximas a Tarcísio afirmam que isso soou como uma tentativa de constrangimento.

A intenção inicial do governador, segundo aliados, era fazer um gesto de solidariedade e informar Bolsonaro sobre conversas que vinha mantendo com ministros do Supremo para tentar viabilizar a concessão de prisão domiciliar.

Apesar do episódio, Tarcísio e Flávio conversaram por telefone na semana passada. O governador teria reiterado apoio ao senador como candidato do grupo e prometido se engajar na campanha no momento adequado, embora siga sendo pressionado por bolsonaristas a demonstrar esse apoio de forma mais explícita.

Bolsonaro cumpre pena após condenação por tentativa de golpe de Estado. Em novembro, ele foi retirado do regime domiciliar e levado à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, depois de tentar violar as condições impostas pelo uso de tornozeleira eletrônica. No último dia 15, foi transferido para o 19º Batalhão da PM.

A mudança de local levou aliados do ex-presidente, como o pastor Silas Malafaia, a elogiar a atuação de Tarcísio e Michelle, atribuindo a eles influência na decisão. O gesto, porém, também provocou reações negativas entre bolsonaristas ligados a Flávio, incluindo o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

Histórico de visitas

Tarcísio já visitou Bolsonaro em outras ocasiões. Em agosto de 2025, afirmou que o ex-presidente estava tranquilo durante encontro realizado no período de prisão domiciliar. Na ocasião, participou também de reuniões com lideranças de centro-direita que defendiam seu nome para a disputa presidencial.

Em setembro do mesmo ano, voltou a encontrá-lo em um momento em que Flávio estava presente. Após a reunião, o senador associou o avanço do projeto de anistia à definição do candidato do grupo à Presidência. Naquela ocasião, Tarcísio reiterou que seu foco seria a reeleição ao governo paulista.

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