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Ibovespa sobe mais de 3%, renova recorde histórico e dólar recua com alívio externo

A Bolsa brasileira teve forte alta nesta quarta-feira (21) e ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 171 mil pontos. O movimento foi impulsionado principalmente pelo alívio no cenário internacional, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar da ameaça de impor tarifas a países europeus e sinalizar avanço em negociações envolvendo a Groenlândia.

Foto: Divulgação/Arquivo
Foto: Divulgação/Arquivo

No mercado de câmbio, o dólar encerrou o dia em queda superior a 1%.

Por volta das 17h30, o Ibovespa avançava 3,23%, aos 171.656 pontos, sustentado por intensa entrada de capital estrangeiro. No pico da sessão, o índice chegou a 171.809 pontos. A nova máxima sucede o recorde registrado no dia anterior, quando o indicador fechou aos 166.276 pontos.

A moeda norte-americana, por sua vez, caiu 1,11% e terminou o pregão cotada a R$ 5,319.

O otimismo ganhou força depois que Trump afirmou, em publicação na rede Truth Social, que um acordo envolvendo a Groenlândia e a segurança do Ártico estaria em fase avançada. Com isso, o presidente anunciou que não aplicaria as tarifas que entrariam em vigor em 1º de fevereiro contra países da União Europeia.

Mais cedo, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump também descartou o uso de força militar para controlar o território dinamarquês. A sinalização de distensão reduziu as tensões comerciais que vinham pressionando os mercados globais desde o fim de semana.

Segundo analistas, o recuo do presidente americano trouxe alívio imediato aos ativos de risco e acelerou o fluxo de recursos para mercados emergentes, como o Brasil. Para Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos, momentos de atrito entre Estados Unidos e Europa costumam levar investidores a revisar posições e buscar alternativas com melhor relação entre preço e risco.

Ela avalia que o mercado acionário americano segue caro, com ativos próximos de máximas históricas e cercados de incertezas políticas e comerciais. Já a Europa enfrenta dificuldades estruturais, como crescimento fraco e desafios fiscais. Nesse contexto, parte do capital global acaba sendo redirecionada para países como o Brasil.

Na avaliação de Luiz Ormeneze, sócio da Manchester Investimentos, o país reúne fatores que o tornam atrativo, como diferencial elevado de juros, exposição a commodities e ações negociadas a preços considerados baixos. A Petrobras, por exemplo, subia mais de 4% no pregão e atingia o maior valor de mercado desde abril do ano passado.

Ormeneze também destaca que a alocação em mercados emergentes permanece em níveis reduzidos nos portfólios globais, o que abre espaço para a continuidade do fluxo de recursos para países com boa liquidez e fundamentos favoráveis.

Apesar do avanço do Ibovespa, parte dos investidores voltou a direcionar recursos para as Bolsas americanas após o recuo tarifário. Os principais índices de Nova York passaram a operar em alta, com ganhos de cerca de 1,5% no S&P 500, 1,36% no Nasdaq e 1,26% no Dow Jones.

No mercado de câmbio, a queda do dólar também foi influenciada pela redução dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela estabilização dos juros japoneses, o que diminuiu a pressão sobre moedas de países emergentes, segundo Marcio Riauba, da StoneX Banco de Câmbio.

No cenário doméstico, investidores também reagiram à pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã. O levantamento mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança nas intenções de voto para as eleições de 2026, mas com redução da vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em simulações de segundo turno.

A leitura do mercado é de que o avanço de candidatos considerados mais alinhados a uma agenda fiscal previsível e pró-mercado aumenta a atratividade dos ativos brasileiros. Para o economista Ian Lopes, da Valor Investimentos, a combinação entre o discurso de Trump em Davos e os dados da pesquisa eleitoral ajudou a criar o ambiente positivo que marcou o pregão desta quarta-feira.

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