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Tarcísio intensifica agenda de entregas, reafirma reeleição e se afasta do governo durante férias

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), encerra 2025 reforçando internamente a decisão de disputar a reeleição em 2026 e cobrando agilidade na conclusão de projetos estratégicos.

Foto: João Valério/Divulgação Governo de SP/Arquivo
Foto: João Valério/Divulgação Governo de SP/Arquivo

O movimento ocorre enquanto parte de seus aliados ainda alimenta a expectativa de que ele possa entrar na corrida presidencial.

A postura do governador se consolidou após o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciar pré-candidatura à Presidência da República, com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. A iniciativa pegou de surpresa Tarcísio, integrantes do Palácio dos Bandeirantes e dirigentes de partidos aliados. Desde então, o governador tem reiterado a interlocutores que nunca colocou publicamente a disputa pelo Planalto como objetivo e que seu foco permanece na recondução ao cargo estadual.

A partir desta sexta-feira (26), Tarcísio se afasta do comando do Executivo paulista por 17 dias, retornando apenas em 11 de janeiro. Durante o período, o vice-governador Felicio Ramuth (PSD) assumirá o governo. Nos bastidores, Ramuth é visto como nome preferencial tanto para uma eventual sucessão quanto para permanecer na chapa em uma candidatura à reeleição.

Antes das férias, o governador intensificou a agenda pública, com compromissos diários principalmente na capital e na Grande São Paulo — regiões onde teve desempenho eleitoral mais fraco. O objetivo foi entregar obras, reforçar promessas e ampliar visibilidade administrativa.

Nos últimos dias, Tarcísio participou da entrega de conjuntos habitacionais no litoral paulista e em Guarulhos, da inauguração de um viaduto estaiado no ABC, de parte do trecho norte do Rodoanel e do piscinão Jaboticabal, obra voltada ao controle de enchentes entre São Paulo, São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo.

Durante os eventos, o governador interagiu com trabalhadores e apoiadores, posou para fotos e discursou destacando investimentos em infraestrutura e mobilidade urbana, incluindo novas linhas de metrô. Em algumas ocasiões, associou atrasos em obras a escândalos de corrupção e à Operação Lava Jato, além de fazer críticas indiretas a gestões petistas.

Dados e contextos que antecedem a atual gestão, no entanto, ficaram fora dos discursos. Parte das obras entregues teve início em administrações anteriores. O trecho do Rodoanel, por exemplo, deu continuidade a edital lançado antes de seu mandato, e o piscinão Jaboticabal teve obras iniciadas em gestões passadas, com atrasos anteriormente atribuídos à administração federal. No programa Casa Paulista, o governo estadual contabiliza cerca de 80 mil unidades habitacionais entregues, incluindo imóveis que receberam subsídio estadual de aproximadamente R$ 10 mil.

Aliados relatam que o governador já havia sinalizado a intenção de encerrar o ano com uma agenda intensa de entregas, mas que o ritmo foi acelerado após o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, como forma de reforçar publicamente o projeto de reeleição.

A cobrança por agilidade foi direcionada principalmente a secretários que pretendem disputar cargos eletivos em 2026. Tarcísio deseja que esses auxiliares deixem o governo ainda em janeiro. Além de Guilherme Derrite (PP), que já deixou a Secretaria da Segurança Pública para disputar o Senado, outros nomes devem sair: Guilherme Piai (PL), da Agricultura; Helena Reis (Republicanos), de Esportes; e Roberto Lucena (Republicanos), do Turismo, todos com planos de concorrer à Câmara dos Deputados. Gilberto Kassab (PSD), presidente nacional do partido, afirmou que deve se dedicar à coordenação das campanhas da legenda.

A possibilidade de Tarcísio disputar a Presidência havia estimulado uma movimentação antecipada de lideranças paulistas interessadas no governo estadual. Com a reafirmação do projeto de reeleição, esse movimento perdeu força.

Um episódio recente ilustra esse arrefecimento. Durante a entrega do piscinão Jaboticabal, o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), citou em seu discurso apenas parte das lideranças presentes e deixou de mencionar o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), outro nome cogitado para a sucessão estadual. O gesto foi tratado como falha protocolar e posteriormente amenizado com um convite público para visita conjunta a uma obra municipal, aceito pelo deputado.

Apesar do discurso firme pela permanência no governo paulista, no entorno mais próximo de Tarcísio ainda não há consenso absoluto. Alguns aliados consideram possível uma mudança de cenário, caso Flávio Bolsonaro desista da disputa presidencial.

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