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PSB pede ao STF afastamento de Ibaneis Rocha após suspeitas envolvendo fundo investigado no caso Banco Master

O diretório do Partido Socialista Brasileiro no Distrito Federal entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal para que o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), seja afastado do cargo. A solicitação foi apresentada nesta terça-feira (10) e tem como base suspeitas de ligação entre o escritório de advocacia do governador e um fundo investigado no escândalo envolvendo o Banco Master.

Segundo o partido, o escritório de advocacia ligado a Ibaneis — do qual ele afirma estar afastado desde 2018 — teria negociado a venda de direitos de recebimento de honorários milionários para o fundo Reag Legal Claims, ligado ao grupo Reag Investimentos. A empresa aparece em investigações relacionadas a fraudes financeiras associadas ao Banco Master.

No pedido encaminhado ao STF, o PSB cita a possibilidade de diversos crimes, entre eles gestão temerária de instituição financeira, corrupção passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O partido também levanta questionamentos sobre possíveis irregularidades na gestão do Banco de Brasília.

O dirigente do PSB no DF e pré-candidato ao governo local, Ricardo Cappelli, afirmou que o governador não teria mais condições políticas de continuar no cargo enquanto as investigações seguem em andamento.

Operação envolve bilhões em créditos

O caso ganhou repercussão após o Banco Central do Brasil identificar, em novembro, que cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master ao BRB apresentavam irregularidades. O órgão determinou que o valor fosse ressarcido ao banco estatal do Distrito Federal.

Posteriormente, o BRB informou que conseguiu recuperar aproximadamente R$ 10 bilhões do montante envolvido.

Documentos obtidos pela imprensa indicam que o escritório de advocacia ligado a Ibaneis teria vendido ao fundo Reag Legal Claims os direitos de recebimento de honorários avaliados em cerca de R$ 38,13 milhões. O valor corresponde a 10% de uma condenação judicial estimada em R$ 381,3 milhões.

A ação judicial que gerou os honorários foi movida pelo Sindilegis contra a União, com atuação do escritório de advocacia associado ao governador.

Defesa nega participação

Em nota, a defesa de Ibaneis afirmou que ele não participou da negociação e que se afastou do escritório em 2018, antes das operações mencionadas.

Segundo os advogados, o governador nunca manteve contato com representantes da empresa responsável pela compra dos créditos judiciais e teria tomado conhecimento do grupo apenas recentemente, por meio de reportagens na imprensa.

Pressão política aumenta no DF

Além da ação apresentada ao STF, a crise política envolvendo o governador também chegou ao Legislativo local. O Partido Liberal anunciou rompimento político com Ibaneis e defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Legislativa do Distrito Federal para investigar o caso do Banco Master e possíveis impactos nas operações do BRB.

A deputada distrital Bia Kicis afirmou que a instalação de uma CPI se tornou necessária diante dos indícios de irregularidades envolvendo recursos públicos. Segundo ela, o Legislativo precisa exercer seu papel de fiscalização diante da gravidade das suspeitas.

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