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Retenção de verbas pelo governo Tarcísio gera insatisfação entre prefeitos aliados em São Paulo

A administração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) causou desconforto entre prefeitos aliados ao segurar, ao longo de 2025, o repasse de recursos estaduais destinados a investimentos municipais, como aquisição de veículos e execução de obras. A decisão frustrou expectativas de lideranças locais que pretendiam apresentar entregas à população em um período pré-eleitoral.

Foto: Marco Galvão/Alesp/Arquivo
Foto: Marco Galvão/Alesp/Arquivo

Dados da Secretaria da Fazenda e Planejamento indicam que, em 2024, o Estado empenhou cerca de R$ 1,7 bilhão, em valores corrigidos pela inflação, para transferências voltadas a investimentos nos municípios paulistas. Já em 2025, até a segunda metade de dezembro, o montante liberado era de aproximadamente R$ 1,27 bilhão. Somente na última semana do ano, após cobranças públicas de aliados, o governo autorizou mais R$ 424 milhões, fazendo com que o total ficasse apenas R$ 5 milhões abaixo do registrado no ano anterior.

Em nota, o governo estadual afirmou que, além das transferências voluntárias às prefeituras, mantém investimentos diretos em todas as regiões de São Paulo, destacando a aplicação de mais de R$ 30 bilhões em obras de mobilidade urbana e logística.

Com a liberação dos recursos em ritmo mais lento, prefeitos da base aliada passaram a adotar uma postura cautelosa, alternando cobranças por verbas com a preservação do apoio político ao governador. No dia 9, por exemplo, 17 prefeitos do Pontal do Paranapanema, no oeste paulista, reuniram-se em Anhumas, a cerca de 550 km da capital, para pedir a retomada dos repasses.

Durante o encontro, uma faixa com a frase “SOS governador: cidades do oeste paulista pedem socorro” foi exibida. O prefeito de Anhumas, Adailton Menossi (PSD), afirmou à imprensa local que a mobilização não tinha caráter de protesto, mas representava apenas um apelo por atenção do governo estadual.

Movimentos semelhantes vêm sendo articulados por prefeitos do Alto Tietê, no leste do estado. Paralelamente, gestores ligados ao PP sinalizaram que podem reavaliar o apoio a Tarcísio caso ele confirme a candidatura à reeleição.

Os repasses aos municípios ocorrem, em grande parte, por meio de convênios financiados com emendas parlamentares. Em 2025, o governo transferiu R$ 171 milhões via emendas voluntárias, cuja execução depende de decisão do Executivo estadual. No ano anterior, o valor havia sido de R$ 367 milhões, já corrigido pela inflação.

Entre os projetos que ficaram sem recursos estão reformas de prédios para guardas municipais e escolas, pequenas obras viárias, compra de tratores e construção de campos de futebol, conforme informações da Secretaria de Governo e Relações Institucionais.

O cenário de arrecadação abaixo do esperado em São Paulo ao longo do ano também pesou nas decisões do Executivo. O presidente da Associação Paulista de Municípios (APM), Fred Guidoni, ex-prefeito de Campos do Jordão, avaliou que, diante de um quadro fiscal mais restritivo, a redução nos repasses era previsível. Segundo ele, as prefeituras acumulam cada vez mais responsabilidades sem que a participação na arrecadação acompanhe esse crescimento.

Além das limitações orçamentárias, políticos ouvidos pela reportagem apontaram entraves no fluxo interno para liberação de recursos no Palácio dos Bandeirantes. Desde o início do mandato de Tarcísio, parlamentares relatam dificuldades na articulação entre a Casa Civil, comandada por Arthur Lima, e a Secretaria de Governo e Relações Institucionais, chefiada por Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.

A principal reclamação é que acordos firmados com assessores ligados à Casa Civil não avançaram quando os processos chegaram à Secretaria de Governo, atrasando a formalização de convênios e a liberação de verbas. Em 2025, 17 secretarias estaduais participaram das transferências aos municípios, sendo que cerca de 65% dos recursos ficaram concentrados justamente na pasta de Governo.

Aliados de Tarcísio afirmam ainda que Kassab dedicou parte significativa do ano à reorganização política do PSD para as eleições de 2026, priorizando a filiação de prefeitos e a ampliação da base municipal do partido, o que teria contribuído para o desgaste na relação com o governador.

O presidente do PSD chegou a discutir a possibilidade de concorrer ao governo estadual caso Tarcísio disputasse a Presidência da República, plano que foi abandonado após o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mesmo assim, aliados do governador atribuem a Kassab um papel de contenção das críticas feitas por prefeitos do interior à gestão estadual. A assessoria do dirigente afirmou não ter conhecimento dessa atuação.

Questionado sobre relatos de desentendimento entre as secretarias, o Palácio dos Bandeirantes não respondeu diretamente ao tema. Em nota, o governo ressaltou que, nos três primeiros anos de mandato, Tarcísio destinou R$ 3,5 bilhões aos municípios para investimentos, reforçando o compromisso com uma gestão de perfil municipalista.

Segundo o Executivo estadual, os investimentos não se limitam às transferências voluntárias, já que o Estado mantém um amplo volume de obras e projetos em andamento, planejados de forma integrada e com diálogo contínuo com prefeitos e parlamentares.

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