PF aponta suposto esquema de compra de votos e envolve promotor, irmão do prefeito de Macapá
- Adilson Silva

- há 6 dias
- 2 min de leitura
Uma investigação da Polícia Federal sobre possíveis crimes eleitorais cita a participação do promotor de Justiça João Paulo Furlan, irmão do prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB), em um suposto esquema de compra de votos.

As apurações mencionam a distribuição de cestas básicas e combustível como forma de aliciamento de eleitores.
Em meio às investigações, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) determinou o afastamento cautelar do promotor por 60 dias e instaurou procedimento disciplinar. A decisão foi publicada na edição de terça-feira (13) do diário eletrônico do órgão.
O inquérito da PF aponta trocas de mensagens entre João Paulo Furlan e Gleison Fonseca da Silva, suspeito de envolvimento direto na prática de crimes eleitorais. Gleison ocupa atualmente o cargo de ouvidor-geral da Prefeitura de Macapá, conforme informações disponíveis no site oficial do município.
Em dezembro de 2020, durante o período eleitoral, Gleison foi abordado por agentes da Polícia Federal portando R$ 1.210 em dinheiro, além de um telefone celular e materiais de campanha do então candidato Dr. Furlan, que viria a ser eleito prefeito naquele ano. Na ocasião, ele alegou que o valor era referente ao 13º salário e seria destinado ao pagamento de despesas pessoais, como aluguel e internet.
Meses depois, em fevereiro de 2021, a Justiça Eleitoral autorizou a extração e análise dos dados do celular apreendido. A perícia identificou conversas que, segundo a PF, indicariam a organização de ações para compra de votos, incluindo mensagens trocadas entre Gleison e o promotor afastado.
Em um dos trechos citados no relatório, João Paulo Furlan orienta a entrega de cestas básicas a uma mulher, informando que encaminharia o contato da destinatária. Para os investigadores, o conteúdo das mensagens demonstra proximidade entre os dois e reforça a hipótese de que Gleison atuaria como pessoa de confiança do promotor em assuntos relacionados à campanha eleitoral.
O relatório também aponta que João Paulo Furlan teria participado ativamente da articulação da campanha do irmão, sugerindo postagens em redes sociais, orientando respostas a jornalistas e, possivelmente, atuando na coordenação financeira. A PF menciona ainda registros de transferências bancárias entre Gleison e o promotor, além de indícios de pagamentos ligados à compra de cestas básicas e ao abastecimento de veículos utilizados no transporte de eleitores.
Apesar das suspeitas, a Polícia Federal ressalta que, até o momento, não há indícios de que o promotor tenha utilizado diretamente o cargo público para a prática dos supostos crimes investigados.
Procurado, João Paulo Furlan informou que não pode comentar o caso, uma vez que o processo tramita sob sigilo.







Comentários