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Perícia aponta que prints de Vorcaro ajudaram a rastrear mensagens enviadas a Moraes

Capturas de tela feitas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, podem ter sido fundamentais para que autoridades conseguissem rastrear mensagens enviadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A informação foi relatada por funcionários ligados aos aplicativos WhatsApp e Signal, ouvidos sob condição de anonimato.

Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo
Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo

Segundo especialistas, os “prints” de anotações feitas no bloco de notas do celular deixaram rastros digitais que permitiram aos investigadores reconstruir parte das interações, inclusive mensagens enviadas com o recurso de visualização única.

Rastros deixados no aparelho

De acordo com técnicos que trabalham com as plataformas de mensagens, uma captura de tela gera vestígios no dispositivo em diferentes etapas — no momento em que a imagem é criada, copiada ou compartilhada. Esses dados acabam registrando horários e ações realizadas no aparelho.

Caso Vorcaro tivesse utilizado ferramentas internas do próprio aplicativo, como gravação de áudio ou envio direto de arquivos no modo de visualização única, o conteúdo teria ficado criptografado e mais difícil de recuperar.

Ferramentas usadas pela Polícia Federal

Nas investigações, a Polícia Federal utiliza softwares especializados para perícia digital. Um deles é o Cellebrite, tecnologia israelense capaz de acessar dados ocultos em smartphones, tanto em dispositivos iPhone quanto em aparelhos Android.

Com essa ferramenta, investigadores conseguem recuperar bases de dados, metadados e até arquivos apagados, além de identificar horários de envio de mensagens, interlocutores e chaves de criptografia.

Depois dessa extração, os dados são organizados por outro sistema utilizado pela PF, o Iped, que analisa arquivos e metadados para reconstruir a sequência de eventos registrada no aparelho.

Limitações da perícia

Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas ressaltam que a recuperação completa das conversas depende da apreensão do aparelho de todos os envolvidos. Como o telefone de Alexandre de Moraes não foi apreendido, por exemplo, não é possível acessar diretamente as mensagens que teriam sido enviadas pelo ministro.

Ainda assim, peritos afirmam que os metadados e registros do próprio celular de Vorcaro podem permitir inferências bastante precisas sobre as mensagens trocadas.

Segundo especialistas em criptografia e perícia digital, os sistemas operacionais modernos raramente apagam arquivos de forma definitiva. Em geral, apenas removem o caminho de acesso, o que permite que ferramentas forenses consigam localizar os dados posteriormente durante varreduras completas no armazenamento do dispositivo.

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