Luiz Bacci publica vídeos com críticas ao Banco Central e sai em defesa do Banco Master
- Adilson Silva

- há 17 horas
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O ex-apresentador Luiz Bacci divulgou ao menos quatro vídeos nas redes sociais, ao longo do último mês, nos quais critica o Banco Central (BC) e defende o Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que teve sua liquidez decretada. Procurado para comentar o assunto, Bacci não se manifestou.

As publicações ocorrem em meio a uma ofensiva digital contra o BC. Recentemente, um vereador e uma influenciadora relataram ter recebido propostas de agências de comunicação para produzir conteúdos questionando a atuação da autarquia federal.
No primeiro vídeo, publicado em 18 de dezembro, Bacci comentou a decisão do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus — relator do caso —, que solicitou esclarecimentos ao Banco Central por considerar haver sinais de precipitação na liquidação do Master. A partir desse episódio, o ex-apresentador passou a levantar dúvidas sobre a regularidade do processo e a sugerir interesses ocultos por trás da decisão.
Com mais de 24 milhões de seguidores no Instagram, Bacci afirmou não enxergar evidências de uma suposta fraude bilionária, alegando que não houve reclamações públicas de clientes contra o banco. Ele também questionou como irregularidades dessa magnitude poderiam ocorrer sob fiscalização do BC, insinuando a existência de articulações políticas ou financeiras para prejudicar a instituição.
Em 29 de dezembro, um novo vídeo trouxe críticas à forma como a liquidação teria sido conduzida, descrita por ele como uma ação discreta e repentina. No entanto, diferentemente do que afirmou, o Banco Central analisou o caso por mais de cinco meses e comunicou a decisão oficialmente no momento em que foi tomada.
Na mesma publicação, Bacci voltou a sugerir irregularidades, mencionando um suposto silêncio do BC diante do prazo dado pelo TCU para esclarecimentos. Também associou o episódio ao ambiente político, levantando suspeitas — sem apresentar provas — sobre a influência do governo federal na condução da política monetária e na definição da taxa Selic.
No terceiro vídeo, divulgado em 1º de janeiro, o comunicador reproduziu argumentos apresentados por Daniel Vorcaro em depoimento à Polícia Federal, destacando que o banqueiro negou qualquer irregularidade e afirmou que as operações do Master teriam seguido as normas vigentes. Bacci também questionou o intervalo de apenas 42 minutos entre a comunicação de uma suposta venda do banco a um fundo e a prisão de Vorcaro.
De acordo com relatos de integrantes do governo ao Estadão/Broadcast, a rapidez da ação policial ocorreu devido à suspeita de que a proposta de venda poderia ser uma estratégia para ganhar tempo e deixar o país. Vorcaro foi detido no aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para embarcar para Dubai. A defesa alegou que a viagem tinha fins profissionais.
O histórico completo que levou à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em 18 de novembro, foi encaminhado ao TCU e consta nos autos do processo.
Já em 5 de janeiro, Bacci publicou mais um vídeo questionando a resistência à chamada “abertura da caixa-preta” do Banco Central. Segundo ele, a postura da instituição comprometeria sua credibilidade ao evitar fiscalizações e geraria um ambiente de desconfiança. O ex-apresentador afirmou que a atuação do TCU representaria transparência e sugeriu que a reação contrária indicaria tentativa de ocultar informações.
Ataques coordenados ao Banco Central
A repercussão dos vídeos de Bacci ocorre em um contexto mais amplo de críticas direcionadas ao Banco Central nas redes sociais. O caso ganhou visibilidade após o vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, divulgar um vídeo afirmando ter recebido uma proposta chamada “projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro, para defender o Banco Master online.
Segundo monitoramento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), autoridades e instituições envolvidas no processo de liquidação do banco passaram a sofrer ataques virtuais pouco antes do fim do ano. O Estadão analisou publicações, horários e conteúdos divulgados, identificando semelhanças entre os materiais compartilhados por diferentes perfis.
Apesar de variações no estilo dos influenciadores, os conteúdos apresentam pontos em comum: foram publicados majoritariamente no final de dezembro, baseiam-se na mesma narrativa de possível revisão da liquidação e levantam desconfiança sobre a atuação dos órgãos reguladores, especialmente quanto à suposta rapidez da decisão — embora o processo tenha se estendido por vários meses. Em nenhum dos casos, as postagens indicavam tratar-se de publicidade ou conteúdo patrocinado.







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