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Governo Lula tenta evitar que EUA classifiquem PCC e CV como organizações terroristas

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula nos bastidores para evitar ou ao menos adiar uma possível decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas.

Segundo relatos de aliados, Lula demonstrou preocupação com os impactos políticos e econômicos que a medida poderia provocar no Brasil, especialmente em um cenário pré-eleitoral. O Palácio do Planalto também teme que o tema seja explorado politicamente por adversários do governo.

Reuniões e articulação diplomática

Desde segunda-feira (9), o presidente participa de reuniões para discutir alternativas à proposta americana. A classificação de facções como organizações terroristas poderia abrir espaço para medidas mais duras dos Estados Unidos, incluindo possíveis ações internacionais de combate ao crime.

O tema foi tratado diretamente pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que conversou por telefone com o secretário de Estado americano Marco Rubio. Entre os argumentos apresentados pelo governo brasileiro está a sugestão de aguardar um encontro presencial entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, antes de qualquer decisão oficial.

Temor de impacto econômico

Integrantes do governo também avaliam que a classificação pode trazer efeitos indiretos sobre a economia brasileira. Um dos pontos de preocupação envolve o sistema de pagamentos Pix, que poderia passar a ser alvo de maior monitoramento internacional sob a justificativa de combater o financiamento ao crime organizado.

Além disso, há receio de que a medida gere questionamentos sobre transações financeiras no país e reduza a competitividade do Brasil no cenário internacional.

Debate político

O presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, criticou publicamente a possibilidade de classificação das facções como terroristas e afirmou que o Brasil não pode aceitar interferências externas em seu território.

Segundo ele, a medida poderia abrir brechas para sanções econômicas ou outras ações que afetassem a soberania nacional.

Pressão nos Estados Unidos

A discussão sobre enquadrar o PCC e o CV como organizações terroristas já ocorre há algum tempo dentro do governo americano. A proposta ganhou força após articulações do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro em 2025.

Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro avaliam que, caso a decisão não seja anunciada imediatamente, isso indicaria apenas que o país conseguiu ganhar tempo nas negociações diplomáticas — sem garantir que a medida seja definitivamente descartada.

Investigações indicam que as duas facções já possuem presença em diversos estados brasileiros e também ampliaram suas atividades para outros países da América Latina e da Europa.

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