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Fundos de investimento crescem 125% em dez anos e debate sobre fiscalização pelo BC ganha força

O mercado brasileiro de fundos de investimento avançou de forma acelerada na última década, enquanto a estrutura de fiscalização e regulação não acompanhou o mesmo ritmo, segundo avaliação de agentes do setor.

Foto: Lula Marques/Arquivo/Agência Brasil
Foto: Lula Marques/Arquivo/Agência Brasil

Em entrevista ao UOL News, Haddad defendeu que o BC assuma a fiscalização do segmento. Ele ressaltou, no entanto, que a proposta ainda está em debate e não representa uma posição oficial do governo.

Dados mostram a dimensão do crescimento do setor. O número de fundos supervisionados pela CVM passou de 14.799 em 2015 para 33.163 em 2025, uma expansão de 125%. O avanço mais expressivo ocorreu entre os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (Fidcs), que saltaram de 553 para 3.802 no período, crescimento de 587%.

O patrimônio líquido total dos fundos também mais que triplicou em dez anos, passando de R$ 3,5 trilhões, em dezembro de 2015, para R$ 10,7 trilhões no fim de 2025, alta de 207%. No caso dos Fidcs, o volume avançou de R$ 87,1 bilhões para R$ 733 bilhões, um aumento de 742%.

Apesar da expansão, participantes do mercado apontam fragilidades na atuação da CVM, que enfrenta limitações de orçamento, pessoal e infraestrutura. Essas dificuldades são citadas como um dos fatores que ajudariam a explicar escândalos recentes, como o caso do Banco Master, investigado por supostamente utilizar aplicações em fundos para inflar carteiras de crédito.

Reportagens anteriores apontaram que auditorias já haviam identificado problemas documentais no grupo desde 2019. Em 2020, a Anbima também registrou irregularidades na Reag, administradora de fundos com vínculos comerciais com o banco controlado por Daniel Vorcaro.

Haddad afirmou que órgãos do Executivo avaliam ampliar o escopo de atuação do Banco Central para incluir os fundos de investimento. A proposta se inspira no modelo conhecido como “twin peaks”, adotado inicialmente na Austrália e posteriormente em países como o Reino Unido, que organiza a regulação do sistema financeiro por funções, e não por tipos de produto.

Em nota, a Anbima declarou estar disposta a discutir o tema com as autoridades, defendendo avanços regulatórios que priorizem eficiência operacional, redução de custos e fortalecimento da proteção ao investidor. A associação também ressaltou a importância de conduzir qualquer mudança de forma cuidadosa, transparente e tecnicamente embasada, diante das restrições orçamentárias enfrentadas pela CVM.

Especialistas ouvidos apontam que o debate é complexo. Para Hudson Bessa, sócio da HB Escola de Negócios, o interesse do Banco Central em retomar a supervisão dos fundos já vinha sendo comentado antes mesmo dos recentes escândalos financeiros. Ele avalia que tanto a transferência quanto a manutenção da fiscalização na CVM apresentam argumentos relevantes.

Na mesma linha, advogados especializados em regulação financeira destacam que o ponto central não é apenas definir qual órgão deve fiscalizar, mas aprimorar os mecanismos de controle, a coordenação entre reguladores e a transparência do sistema. Há o receio de que uma simples mudança institucional gere sobreposição de competências e aumento de burocracia, sem resultados práticos.

Para esses especialistas, o desafio está em construir um modelo de supervisão mais integrado, capaz de lidar tanto com riscos sistêmicos quanto com questões de governança e proteção ao investidor, em um mercado cada vez mais complexo e tecnológico.

Procurada, a CVM não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

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