Fundo que manteve sociedade com irmãos de Toffoli repassou cotas a offshore em paraíso fiscal
- Adilson Silva

- há 1 dia
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Um fundo de investimentos que manteve negócios com familiares do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), transferiu seus ativos, no fim de 2025, para uma empresa registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, território conhecido pelo alto grau de sigilo empresarial.

A movimentação foi inicialmente divulgada pelo SBT News e confirmada a partir de registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da autoridade financeira local.
Entre 2021 e 2025, o fundo Arleen participou da sociedade do resort Tayayá, localizado no Paraná, ao lado dos irmãos do ministro, José Eugênio e José Carlos Toffoli, além de um primo. O Arleen integrou a operação ao adquirir cotas de empresas pertencentes aos familiares do magistrado. O fundo era controlado por outro veículo financeiro, o Leal, apontado como pertencente a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e controlador do Banco Master.
No encerramento de suas atividades, o Arleen transferiu ativos avaliados em cerca de R$ 34 milhões para a Égide I Holding, empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. A offshore foi criada em março do ano passado e possui como endereço oficial apenas uma caixa postal vinculada a uma administradora especializada em estruturas empresariais em paraísos fiscais, sem identificação pública de seu controlador final.
A defesa de Fabiano Zettel optou por não se manifestar. Já os advogados de Daniel Vorcaro afirmaram que o Banco Master e seu controlador não têm conhecimento nem envolvimento com as operações dos fundos citados, classificando como incorreta qualquer associação entre Vorcaro e essas estruturas. O ministro Dias Toffoli e seus irmãos também não comentaram o caso.
Atualmente, o resort Tayayá pertence integralmente ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que adquiriu, em fevereiro do ano passado, a participação que era da empresa Maridt, dos irmãos de Toffoli. Outro sócio, o primo do ministro Mario Umberto Degani, deixou o negócio em setembro de 2025, vendendo sua parte ao mesmo comprador. Barbosa afirmou que desconhece as operações financeiras do fundo Arleen e que sua atuação limitou-se à compra das cotas das empresas ligadas ao empreendimento.
Documentos mostram que, inicialmente, o encerramento do Arleen previa o resgate dos ativos e pagamento aos cotistas. Posteriormente, em nova assembleia, foi decidido que as cotas seriam transferidas para a holding offshore. Antes disso, o fundo mantinha participações relevantes tanto na Égide I quanto nas empresas do resort Tayayá.
O episódio ganha destaque porque Dias Toffoli é o relator, no STF, de investigações envolvendo o Banco Master, que apuram a suposta venda de bilhões de reais em créditos sem lastro ao BRB. O ministro chegou a decidir que o caso deveria tramitar no Supremo, em razão da existência de autoridades com foro privilegiado entre os investigados. Segundo pessoas próximas, Toffoli não considera haver motivo legal ou pessoal para se declarar impedido ou suspeito no processo.







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