Caso Master: PF aponta que mensagens atribuídas a Vorcaro indicam comando de ofensiva digital com influenciadores
- Adilson Silva

- 8 de jan.
- 2 min de leitura
A Polícia Federal identificou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro teria determinado, de forma direta, a mobilização de influenciadores nas redes sociais para defender o Banco Master, direcionar críticas a autoridades públicas e questionar jornalistas.

As suspeitas surgem a partir da análise preliminar do celular de Vorcaro, apreendido em 17 de novembro, no dia de sua prisão durante a Operação Compliance Zero. Segundo investigadores, há conversas nas quais o banqueiro orienta a execução dessas ações online. Procurada, a defesa não apresentou posicionamento.
Conforme relatos de pessoas com conhecimento do caso, as ordens não eram repassadas a funcionários formais do Banco Master, mas a auxiliares externos. Nessas comunicações, Vorcaro solicitava a disseminação de conteúdos favoráveis à instituição financeira e a realização de ataques virtuais contra figuras públicas que, em sua avaliação, estariam agindo contra os interesses do banco.
O material examinado pela PF é anterior à decretação da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, ocorrida em 18 de novembro, já que o aparelho foi recolhido antes dessa decisão. Ainda assim, naquele período já se registravam manifestações hostis ao BC, motivadas pela demora na análise da tentativa de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), operação posteriormente barrada pelo órgão regulador, no início de setembro.
Para os investigadores, o padrão de atuação descrito nas mensagens é semelhante à ofensiva digital registrada mais recentemente, na virada do ano, quando o Banco Central passou a ser alvo de ataques coordenados em razão da liquidação da instituição financeira.
Contratos firmados com influenciadores previam pagamentos que poderiam chegar a R$ 2 milhões, conforme noticiado anteriormente pelo jornal O Globo. O Estadão revelou a existência de um acordo identificado pelas iniciais de Daniel Vorcaro, denominado “Projeto DV”, que incluía cláusula de confidencialidade com multa estipulada em R$ 800 mil. Entre os envolvidos, estaria um administrador ligado a empresas do jornalista Leo Dias.
No momento, a Polícia Federal consolida as informações reunidas em um relatório técnico, conhecido como informação de polícia judiciária. Com base nesse documento, os investigadores irão avaliar se há elementos suficientes para a abertura de um novo inquérito criminal.
Pouco antes da virada do ano, órgãos e autoridades relacionados ao processo de liquidação do Banco Master passaram a sofrer uma série de ataques nas redes sociais. A ação, concentrada em cerca de 36 horas, utilizou perfis conhecidos por divulgar conteúdos sobre celebridades para colocar em dúvida a credibilidade de instituições como o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no contexto da intervenção no banco, medida decretada em novembro e atualmente analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).







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