PF aponta fraudes financeiras e desvio de recursos em investigação sobre o Banco Master
- Adilson Silva

- há 1 hora
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A investigação da Polícia Federal do Brasil sobre supostos crimes financeiros envolvendo o Banco Master identificou indícios de um esquema voltado ao desvio de recursos que teriam beneficiado diretamente o patrimônio do banqueiro Daniel Vorcaro.

De acordo com o inquérito, conduzido no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero, a crise de liquidez enfrentada pela instituição seria resultado de uma gestão considerada pelos investigadores como planejada para viabilizar transferências fraudulentas de capital.
Segundo a apuração, Vorcaro foi preso na semana passada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator dos processos relacionados ao caso. A defesa do banqueiro não se manifestou até o momento sobre as acusações.
Estrutura financeira sob suspeita
A investigação aponta que o banco teria captado recursos por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos acima da média do mercado. Posteriormente, esses valores seriam direcionados para fundos de investimento ou empresas que, segundo os investigadores, apresentavam avaliações artificialmente infladas.
Após diversas camadas de movimentações financeiras, os recursos acabariam chegando a empresas e fundos ligados a Vorcaro, familiares e aliados.
Os investigadores também destacaram irregularidades envolvendo Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Conforme o relatório da PF, empresas com capital social inferior a R$ 100 mil teriam emitido dívidas de centenas de milhões de reais, posteriormente adquiridas pelos fundos vinculados ao banco.
Fundos com perdas expressivas
Entre os casos analisados está o MN I Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. A investigação aponta que empresas responsáveis por ceder créditos ao fundo possuem capital reduzido e vínculos societários com negócios ligados à família do banqueiro.
Auditores independentes identificaram ainda que cerca de R$ 275 milhões em aplicações do fundo — equivalentes a mais de 60% do patrimônio líquido — não possuíam documentação suficiente que comprovasse as movimentações financeiras.
Outro episódio investigado envolve o FIDC Alvarinho. Nesse caso, o principal cotista era o próprio Banco Master, enquanto os créditos teriam sido cedidos por uma empresa ligada a um sobrinho de um dos sócios da instituição. De acordo com a PF, o fundo registrou perda de aproximadamente 99,45% do patrimônio líquido, situação que no mercado financeiro costuma ser descrita como um fundo que “virou pó”.
Informações incorretas ao Banco Central
A investigação também aponta que o banco teria fornecido informações incorretas ao Banco Central do Brasil, incluindo dados relacionados ao Índice de Basileia, indicador utilizado para medir a saúde financeira das instituições bancárias.
Segundo a PF, no demonstrativo referente a dezembro de 2023, o banco teria atribuído risco zero a determinados ativos problemáticos. A prática teria permitido à instituição ampliar operações sem a adequada reserva de capital.
De acordo com os investigadores, caso os dados corretos fossem apresentados, o índice de Basileia da instituição cairia de 11,52% para 9,12%, abaixo do mínimo regulatório exigido de 10,5%.
Além dessa frente de investigação, a PF também conduz outros inquéritos relacionados ao banco, incluindo apurações sobre sua relação com o Banco de Brasília e possíveis estratégias de ataque a autoridades por meio de influenciadores digitais.







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