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Vorcaro e ex-presidente do BRB apresentam versões opostas sobre origem de créditos em acareação no STF

O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, deram relatos divergentes durante acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da origem de carteiras de crédito consideradas problemáticas e adquiridas pelo banco público a partir de 2025.

Foto: Divulgação/Polícia Federal
Foto: Divulgação/Polícia Federal

A informação foi antecipada pelo site Poder360 e confirmada posteriormente. O principal ponto de discordância envolve o grau de transparência da operação e o papel da consultoria Tirreno, empresa que atuava como consolidadora de correspondentes bancários. Apesar das diferenças nas versões, o encontro transcorreu de forma tranquila, sem confrontos mais acalorados.

Vorcaro afirmou que o BRB teria sido avisado previamente sobre a mudança no modelo de negócios do Banco Master, que passaria a negociar créditos originados por terceiros, e não mais produzidos internamente.

Segundo ele, essa alteração teria sido comunicada em conversas anteriores com dirigentes do banco estatal, já indicando a adoção de um novo formato de comercialização a partir de janeiro.

Paulo Henrique Costa, por sua vez, contestou essa versão. De acordo com o ex-presidente do BRB, o entendimento da instituição era de que os créditos tinham origem no próprio Banco Master, ainda que pudessem ter circulado por terceiros antes de serem revendidos.

Costa relatou que a ligação direta com a consultoria Tirreno só foi identificada entre abril e maio, após análises técnicas revelarem padrões documentais diferentes nos contratos adquiridos.

Segundo ele, a identificação tardia ocorreu porque a origem final dos créditos normalmente não integra os documentos utilizados na avaliação de risco, o que dificultou a detecção imediata do problema.

Em sua defesa, Vorcaro afirmou que o Banco Master continuou operando e que conseguiu honrar cerca de R$ 10 bilhões em resgates de investidores entre março e novembro do ano passado, embora tenha admitido um período de forte pressão sobre a liquidez da instituição.

Para contornar o impasse envolvendo as carteiras problemáticas, Master e BRB realizaram uma ampla substituição de ativos. Do total de R$ 12,7 bilhões, aproximadamente R$ 10,2 bilhões foram trocados por novos créditos consignados, imobiliários e corporativos. Segundo Costa, o BRB aplicou um deságio médio de 30%, o que teria garantido uma margem de segurança estimada em cerca de R$ 2 bilhões a favor do banco público.

Ao final da acareação, Vorcaro sustentou que a operação foi encerrada sem prejuízo ao BRB. Costa, entretanto, ponderou que, apesar do reforço das garantias, ainda existiam pendências formais e ativos — incluindo cerca de R$ 800 milhões em ações — que aguardavam avaliação definitiva quando o processo foi interrompido pela liquidação do Banco Master.

Em depoimento prestado à Polícia Federal no fim de dezembro, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que a reserva financeira a ser constituída pelo BRB para cobrir eventuais perdas relacionadas ao caso deverá ser elevada, podendo se aproximar de R$ 5 bilhões.

Até agora, cerca de R$ 2,6 bilhões já foram identificados, e o Banco Central determinou o provisionamento desses valores. Segundo Aquino, a quantia final tende a ser maior devido à baixa qualidade dos ativos repassados pelo Banco Master ao banco estatal.

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