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Trump diz que repressão no Irã dá sinais de recuo em meio a temores de ofensiva dos EUA

Diante do aumento das tensões envolvendo o Irã e a possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos, o presidente americano, Donald Trump, adotou um discurso mais moderado nesta quarta-feira (14).

Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Reprodução/Instagram

Segundo ele, há informações de que a repressão no país estaria diminuindo. “Fui informado de que a matança no Irã está cessando e que não existem planos de execuções”, afirmou, ao comentar relatos sobre julgamentos e possíveis condenações à morte de manifestantes.

As declarações, no entanto, são recebidas com cautela por analistas, já que Trump tem alternado discursos mais duros e conciliatórios desde que protestos contra o regime islâmico ganharam força no fim do ano passado. O tom mais ameno surge após o governo iraniano intensificar a repressão e fazer ameaças que levaram os EUA a retirar pessoal não essencial de bases militares no Oriente Médio. Países europeus e nações como a Índia também recomendaram que seus cidadãos deixem o Irã imediatamente.

Os protestos, iniciados em meio à crise econômica e que se transformaram no maior desafio ao regime desde 1979, parecem ter perdido abrangência nas últimas semanas, em grande parte devido à repressão violenta e ao bloqueio de comunicações. Levantamento do Instituto para o Estudo da Guerra, dos EUA, aponta queda significativa no número de manifestações verificáveis desde a quinta-feira passada (8), quando o governo iraniano intensificou o corte de internet e telefonia móvel.

Naquele dia, atos foram registrados em 156 cidades de 27 províncias. Já na terça-feira (13), esse número caiu para apenas sete cidades em seis províncias. O recuo acompanha o aumento da violência policial, que, segundo a ONG americana Hrana, resultou em ao menos 2.403 mortes até terça-feira. A organização norueguesa Iran Human Rights contabiliza número ainda maior, com 3.428 vítimas até esta quarta.

Especialistas alertam, contudo, que a redução dos registros pode estar relacionada à dificuldade de confirmação dos protestos diante do apagão informativo. Há relatos de que forças de segurança passaram a apreender antenas do sistema de internet via satélite Starlink, utilizadas para contornar o bloqueio e divulgar imagens dos atos. Mesmo assim, vídeos divulgados nas redes indicam que as manifestações seguem ocorrendo, inclusive com grandes concentrações em Teerã na noite de terça-feira.

A disputa também ocorre no campo político e midiático, com Trump exercendo papel central. O presidente americano suspendeu negociações com Teerã, prometeu apoio aos manifestantes e fez sucessivas advertências ao regime. Ao longo desta quarta, surgiram novos sinais de que Washington avalia medidas militares: de acordo com a agência Reuters, os EUA iniciaram a retirada de parte de seu pessoal de bases no Oriente Médio, incluindo Al-Udeid, no Qatar, a principal da região. Não há, porém, indícios de mobilização em larga escala de tropas.

Durante o conflito de 12 dias entre Irã e Israel, em junho do ano passado, a base de Al-Udeid foi alvo de uma retaliação simbólica iraniana, sem danos relevantes. Agora, segundo fontes ouvidas pela Reuters, Teerã teria alertado países vizinhos de que poderá atacar instalações americanas caso seja alvo de novos bombardeios.

Ainda não está claro qual seria o formato de uma eventual ofensiva dos EUA. Trump dá sinais de que preferiria ataques aéreos pontuais, para evitar vítimas civis. Um alvo sensível seria a liderança do regime, especialmente o aiatolá Ali Khamenei, embora autoridades americanas avaliem que sua eliminação poderia fortalecer a Guarda Revolucionária, que controla setores estratégicos do Estado iraniano.

Nesta quarta, o comandante da força aeroespacial da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, afirmou à imprensa local que o país está pronto para um conflito. Segundo ele, os danos sofridos pela defesa aérea durante a guerra com Israel teriam sido reparados, e as capacidades militares estariam hoje superiores às de junho. Analistas, porém, veem a declaração com ceticismo, lembrando que Israel obteve rapidamente superioridade aérea naquele confronto.

No plano diplomático, o Irã buscou contato com países considerados interlocutores dos EUA na região, como Qatar, Emirados Árabes Unidos e Turquia. De acordo com o chanceler Abbas Araghchi, o governo iraniano afirmou a esses países que a situação interna está sob controle e que o país está preparado para se defender.

Aliados regionais dos Estados Unidos demonstram preocupação. Segundo o Wall Street Journal, Arábia Saudita, Omã e Qatar têm alertado Washington, em conversas reservadas, sobre o risco de uma escalada militar desestabilizar a região e afetar o mercado global de petróleo.

Do lado da oposição iraniana, Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979, voltou a pedir mobilização popular. Ele tem se consolidado como uma figura de referência entre manifestantes sem liderança definida. Informações divulgadas pelo site Axios indicam que Pahlavi se reuniu de forma reservada com Steve Witkoff, enviado de Trump para conflitos internacionais, o que levou Teerã a acusar os EUA de incentivar a revolta para atender a seus interesses estratégicos no país.

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