Trump confirma telefonema a Maduro enquanto Venezuela busca apoio da Opep contra pressão dos EUA
- Adilson Silva

- 12 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste domingo (30) que conversou por telefone com o líder venezuelano Nicolás Maduro, após reportagem do The New York Times revelar o contato.

Trump, no entanto, evitou detalhar o teor da conversa em meio ao aumento da tensão entre Washington e Caracas.
De acordo com o jornal americano, o telefonema teria abordado a possibilidade de Maduro viajar aos EUA para um encontro com Trump — informação negada por aliados do regime venezuelano, que afirmam não haver qualquer visita planejada. Maduro é alvo das agências antidrogas americanas, que o acusam de chefiar uma organização de narcotráfico, algo que ele rejeita.
Venezuela recorre à Opep diante da ofensiva americana
No mesmo dia, o governo venezuelano enviou à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) um pedido de apoio para conter o que chama de “agressão” dos EUA. A solicitação foi formalizada em carta de Maduro, lida pela vice-presidente Delcy Rodríguez durante reunião ministerial virtual.
Desde agosto, os Estados Unidos mantêm uma grande operação militar no Caribe, com navios, caças, milhares de soldados e o maior porta-aviões do mundo. Caracas afirma que a iniciativa não tem relação com combate ao narcotráfico, mas sim com um suposto plano para derrubar Maduro e assumir o controle das reservas petrolíferas venezuelanas.
“Espero contar com os melhores esforços para impedir essa escalada, que ameaça a estabilidade do mercado energético internacional”, diz a carta enviada à Opep.
Maduro sustenta que a ação americana coloca em risco a produção de petróleo do país e pode desestabilizar o setor global.
Aperto nas rotas aéreas e pressão militar
No sábado (29), Trump declarou que o espaço aéreo venezuelano deveria ser considerado “totalmente fechado”. A fala ocorre após alerta aéreo emitido por Washington na semana passada, motivado pelo aumento de atividade militar na região — advertência que levou seis companhias aéreas a suspender voos de e para o país.
Neste domingo, a agência russa Pegas Touristik, que organiza viagens para a ilha de Nueva Esparta, também interrompeu suas operações, seguindo a orientação americana.
Mesmo com as suspensões, a Venezuela mantém duas rotas para a Rússia, operadas pela estatal Conviasa, país que segue como aliado estratégico do governo chavista.
Em resposta, o Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (Inac) revogou as licenças de companhias estrangeiras, entre elas Iberia, TAP, Avianca, Latam (unidade colombiana), GOL e Turkish Airlines. Segundo o regime, as empresas aderiram “ao terrorismo de Estado promovido pelos EUA”.
Negociações, exílio e acusações
Na quinta-feira (28), Trump afirmou que ações para combater narcotraficantes venezuelanos “em terra” começariam “muito em breve”, mas disse que ainda pretende falar com Maduro “em algum momento”.
Já neste domingo, o senador republicano Markwayne Mullin declarou à CNN que a Casa Branca ofereceu ao ditador venezuelano a opção de se exilar na Rússia ou em outro país. “O povo venezuelano deixou claro que deseja um novo líder”, disse o parlamentar.
Questionado sobre a possibilidade de uma ofensiva militar dos EUA, Mullin negou: “Não vamos enviar tropas para a Venezuela. Estamos tentando proteger nossas próprias fronteiras”.
Outro senador, Lindsey Graham, classificou Maduro como “líder ilegítimo” e insinuou que o venezuelano poderá ser forçado a deixar o país. De forma irônica, sugeriu que “Turquia e Irã são destinos encantadores nesta época do ano”.
Venezuela anuncia investigação sobre ataques no mar
Ainda no domingo, o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, informou que será criada uma comissão especial para apurar supostos ataques dos EUA contra embarcações na costa venezuelana e no Pacífico.
A iniciativa surge após reportagem do The Washington Post, que afirma que o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ordenou que todos os tripulantes de um barco fossem mortos em uma ação militar em setembro. O texto também relata uma segunda operação voltada à eliminação de dois sobreviventes.







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