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Cursos de medicina mal avaliados pelo MEC cobram mensalidades que chegam a R$ 17 mil

Mesmo com desempenho considerado insatisfatório pelo Ministério da Educação (MEC), cursos privados de medicina no Brasil mantêm mensalidades elevadas, que podem alcançar até R$ 17 mil.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Instituições de ensino contestam os resultados do exame e afirmam que os valores cobrados refletem investimentos em infraestrutura, produção científica e serviços à comunidade.

Levantamento realizado pela Folha de S.Paulo indica que quase todas as 87 faculdades particulares de medicina que obtiveram avaliação abaixo do nível considerado satisfatório no Enamed (Exame Nacional das Escolas Médicas) cobram mais de R$ 10 mil por mês dos estudantes.

Aplicado pelo Inep, órgão ligado ao MEC, o Enamed foi criado para medir o desempenho dos cursos de medicina e subsidiar eventuais sanções às instituições com resultados insuficientes. A prova avalia o percentual de alunos que atingem um nível mínimo de proficiência nos conteúdos da área.

Cada curso recebe uma nota de 1 a 5, conforme o desempenho dos estudantes. Resultados abaixo de 3 são considerados insatisfatórios pelo MEC e podem gerar punições, como restrição à ampliação de vagas ou suspensão de programas de financiamento estudantil.

Ao todo, 351 cursos de medicina participaram da avaliação, sendo 176 pertencentes à rede privada. Desses, 87 ficaram abaixo do patamar mínimo exigido, incluindo os quatro piores desempenhos registrados no exame.

A reportagem apurou as mensalidades cobradas em 2026 por 69 dessas instituições — as demais não divulgaram os valores ou não responderam aos contatos. Apenas sete cursos têm mensalidades inferiores a R$ 10.866, valor que corresponde à mediana nacional do custo do curso de medicina em 2025, segundo a consultoria Hoper Educação.

O menor índice de proficiência do Enamed, de 15,4%, foi registrado pelo curso da Estácio do Pantanal, em Mato Grosso. Na sequência aparece outro campus do mesmo grupo, em Angra dos Reis (RJ), com 21,3%. Conforme informações disponíveis nos sites das instituições, as mensalidades são de R$ 13.373,80 e R$ 12.771,15, respectivamente.

Em nota, a Estácio afirmou que a primeira edição do Enamed apresentou fragilidades que, segundo a instituição, não refletem a qualidade do ensino oferecido. O grupo também sustenta que o exame, isoladamente, não permite conclusões definitivas sobre a formação médica.

Mensalidades aumentam ao longo da graduação

A maior parte dos cursos com notas 1 ou 2 no Enamed cobra valores entre R$ 11 mil e R$ 15 mil mensais. Em alguns casos, o custo cresce conforme o aluno avança na graduação.

Na Universidade Brasil, em Fernandópolis (SP), a mensalidade inicial é de R$ 11,2 mil nos quatro primeiros semestres. Nos semestres finais, o valor sobe para R$ 17,3 mil, podendo ser reduzido para R$ 13,9 mil mediante pagamento antecipado. O curso recebeu nota 1, com 35,9% de proficiência. A instituição informou que trabalha para melhorar a qualidade do ensino e defende a revisão da nota atribuída.

Já a Fametro, em Manaus, cobra uma mensalidade base de R$ 10,9 mil, mas exige o pagamento inicial de R$ 20,9 mil dos estudantes ingressantes. O curso também obteve nota 1, com 38,9% de proficiência, e não se manifestou sobre os questionamentos.

Outra instituição com mensalidade acima de R$ 15 mil é a Afya do Rio de Janeiro, que cobra cerca de R$ 15,8 mil. O curso recebeu nota 2, com 56,2% de proficiência, ficando próximo do nível considerado satisfatório pelo MEC. O grupo afirma que o Enamed não deve ser analisado de forma isolada e cita investimentos em centros de simulação, produção acadêmica internacional e atendimentos gratuitos realizados em parceria com o SUS.

Resultados geram reação do setor privado

Segundo o MEC, 99 cursos de medicina no país não alcançaram a nota mínima no Enamed e estão sujeitos a sanções, como redução de vagas e suspensão do acesso ao Fies.

A divulgação dos resultados provocou reação de entidades do ensino privado. A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) voltou a acionar a Justiça questionando o exame, alegando inconsistências nos dados apresentados.

O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou que eventuais falhas ocorreram apenas em informações preliminares enviadas às instituições e não comprometeram o cálculo final do desempenho dos cursos e dos estudantes.

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