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Antes de ser liquidado, Will Bank não era alvo de investigações da Polícia Federal

O Will Bank não figurava como investigado pela Polícia Federal nas operações que miram o Banco Master, iniciadas em novembro do ano passado. A informação foi confirmada por um perito envolvido nas apurações, que falou sob condição de anonimato.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo

Apesar disso, investigadores afirmam que a possibilidade de o banco digital entrar no radar das autoridades não está descartada.

Criado em 2017 com foco na população de baixa renda e forte presença no Nordeste, o Will Bank teve origem na família Piana, grupo empresarial do Espírito Santo. Em 2021, a instituição recebeu aportes da XP e da Atmos Capital, que passaram a deter participações minoritárias de 14,9% e 10%, respectivamente.

De acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), divulgados anteriormente pelo Painel S.A., o investimento da XP — realizado por meio do fundo XP Private Equity I — apresentou forte valorização logo no primeiro ano, passando de R$ 150 milhões para R$ 301 milhões. Nos dois anos seguintes, entretanto, esse valor recuou para R$ 253 milhões.

Em março de 2024, o Banco Master anunciou a aquisição do controle do Will Bank, com a compra de 75% da participação da família Piana. XP e Atmos permaneceram como acionistas minoritárias, mantendo os mesmos percentuais que já possuíam.

Conforme registros enviados ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a entrada do Master ocorreu de forma simultânea à da Reag Investimentos, empresa investigada nas operações Carbono Oculto e Compliance Zero — esta última com apurações relacionadas ao próprio Banco Master.

Na ocasião, a Reag adquiriu a Will IP, instituição de pagamentos que controlava o Will Bank, formalmente denominado Will Financeira. Os pedidos de aquisição apresentados por Master e Reag foram protocolados no mesmo dia.

O Cade aprovou inicialmente, sem restrições, a compra integral da Will IP pela Reag, incluindo tanto a fatia da família Piana quanto as participações da XP e da Atmos. Posteriormente, o órgão autorizou a aquisição de 75% da Will Financeira pelo Banco Master, mantendo XP e Atmos como sócias minoritárias, agora em parceria com o Master.

Pouco tempo depois da conclusão da operação, a XP deixou a sociedade no Will Bank. No relatório da carteira do fundo XP Private Equity I referente a setembro de 2024, a exposição ao banco digital aparece zerada. Em contrapartida, surgem investimentos em CDBs do Banco Master que somavam R$ 401 milhões.

Na mesma movimentação, a XP adquiriu esses títulos e revendeu, de forma conjunta, R$ 205 milhões em CDBs do Master a investidores. À época, os papéis ofereciam rendimentos acima da média do mercado.

Em março de 2025, a corretora voltou a comprar R$ 180 milhões em CDBs do Banco Master e repassou R$ 308 milhões a terceiros, permanecendo com R$ 73,5 milhões em carteira. Com essas operações, o fundo não apenas recuperou o valor inicialmente investido no Will Bank, como também obteve lucro.

Ainda não há dados públicos na CVM sobre a composição da carteira do fundo em setembro de 2025, já que as informações disponíveis são divulgadas de forma semestral.

Outro lado

Em nota, a XP afirmou que sua exposição ao Will Bank ocorreu exclusivamente por meio de um fundo de private equity destinado apenas a investidores qualificados e profissionais. Segundo a corretora, a venda da participação minoritária foi realizada em 2023, embora a aprovação regulatória tenha ocorrido apenas em 2024.

A empresa destacou que o processo de desinvestimento ocorreu de forma competitiva, com interesse de compradores de diferentes setores, e integrou o ciclo natural do fundo. A XP também afirmou que a operação foi concluída antes de se tornarem públicos os episódios recentes envolvendo o Banco Master e que seguiu todas as práticas de compliance, com aprovação dos órgãos reguladores.

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