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Trump acerta bases de negociação com Putin antes de reunião com Zelenski

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avançou em entendimentos com o presidente russo, Vladimir Putin, antes de se reunir com o líder da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para tratar de uma possível solução para a guerra no Leste Europeu, que se aproxima de quatro anos desde o início da invasão russa.

Foto: Reprodução/Arquivo
Foto: Reprodução/Arquivo

O encontro entre Trump e Zelenski ocorreu neste domingo (28), no resort de Mar-a-Lago, na Flórida. Antes da reunião, Trump afirmou que as negociações estão em estágio avançado, embora tenha evitado estabelecer prazos. “Estamos nas fases finais das conversas, mas não trabalho com datas definitivas”, declarou à imprensa.

Pouco antes de receber o presidente ucraniano, Trump manteve uma conversa telefônica de cerca de uma hora e quinze minutos com Putin, informação confirmada posteriormente pelo Kremlin. Segundo o assessor presidencial russo Iuri Uchakov, que participa diretamente das negociações sobre a Ucrânia, ambos concordaram que um acordo amplo seria preferível a uma simples trégua temporária, especialmente se esta deixasse pendentes questões territoriais.

Ainda de acordo com Uchakov, foi discutida a criação de dois grupos de trabalho: um voltado à definição das fronteiras e perdas territoriais da Ucrânia e outro dedicado a temas econômicos relacionados ao pós-guerra.

Na reunião na Flórida, Trump e Zelenski analisaram uma versão revisada da proposta ucraniana apresentada aos Estados Unidos. O novo documento surge como resposta a um plano inicial elaborado por Washington em conjunto com Moscou, que havia sido visto como excessivamente favorável aos interesses russos. A versão atual incorpora demandas centrais de Kiev, embora contenha pontos já rejeitados publicamente pelo governo russo.

Entre os principais impasses está a questão territorial. Moscou insiste no reconhecimento das áreas anexadas ilegalmente em 2022, incluindo a totalidade do Donbass. A região de Lugansk já está sob controle russo, enquanto Donetsk permanece parcialmente ocupada. Nas áreas de Zaporíjia e Kherson, onde a Rússia controla cerca de três quartos do território, Putin já sinalizou a possibilidade de manter apenas as áreas ocupadas, abrindo mão do restante — sem deixar claro se retiraria tropas de outras regiões ucranianas.

Outra proposta discutida pelos Estados Unidos prevê a desmilitarização da parte de Donetsk ainda controlada por Kiev. A Rússia indicou que aceitaria a ideia apenas se o policiamento fosse realizado por forças russas, condição rejeitada por Zelenski.

Além do território, as garantias de segurança representam outro ponto sensível. O presidente ucraniano afirma que qualquer acordo só será viável se houver compromissos claros de proteção internacional contra novos ataques russos. Moscou, por sua vez, se opõe à presença de uma força de paz internacional e vê com desconfiança qualquer arranjo que envolva diretamente países da Otan.

Questionado sobre o tema, Trump afirmou que haverá garantias robustas de segurança, com participação de países europeus, mas evitou detalhar como isso seria implementado.

Zelenski destacou ainda que, caso o acordo envolva concessões significativas, poderá submeter os termos finais a uma consulta popular na Ucrânia. Mesmo assim, o desfecho depende da aceitação russa, e sinais vindos de Moscou indicam que Putin só concordará com o fim do conflito se puder apresentar o acordo como uma vitória política e estratégica.

Mais cedo, a Rússia anunciou novos avanços militares no leste da Ucrânia, incluindo a tomada de seis localidades, entre elas a simbólica Mirnohrad, que resistia há meses. O governo ucraniano tentou minimizar as perdas, mas parte delas foi confirmada por observadores independentes.

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