Após encontro com Zelenski, Trump cobra de Putin o encerramento da guerra na Ucrânia
- Adilson Silva

- há 2 horas
- 2 min de leitura
Depois de atribuir ao presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, parte da responsabilidade pelo impasse nas negociações de paz, Donald Trump mudou o tom e direcionou a pressão ao líder russo, Vladimir Putin.

A mudança ocorreu após um encontro entre Trump e Zelenski realizado nesta quinta-feira (22), em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial.
“O encontro foi muito positivo. A mensagem agora para Putin é clara: essa guerra precisa acabar”, afirmou Trump rapidamente a jornalistas. Zelenski viajou a Davos exclusivamente para a reunião com o ex-presidente americano.
Ainda nesta quinta, o enviado especial de Trump para o conflito, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do republicano, devem seguir para Moscou, onde têm encontro previsto com Putin. Antes disso, ambos participaram de reuniões em Davos com representantes da Ucrânia e com o negociador russo Kirill Dmitriev.
A guerra entre Rússia e Ucrânia, considerada o confronto mais violento em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial, completa quatro anos em pouco mais de um mês. O conflito atravessa um de seus momentos mais críticos, com intensificação de ataques russos em meio a um inverno rigoroso, que deixou milhares de civis sem acesso regular a energia e aquecimento.
Mais cedo, Trump voltou a afirmar que pretende encerrar conflitos internacionais rapidamente. Ele mencionou a criação de um Conselho da Paz voltado ao Oriente Médio e afirmou, de forma otimista, que a região estaria pacificada, apesar de simultaneamente reforçar a presença militar dos Estados Unidos com foco no Irã, que enfrenta instabilidade interna.
Durante sua passagem por Davos, Trump também comentou temas paralelos da agenda internacional, como a Groenlândia, afirmando que não pretende invadir o território, embora tenha iniciado negociações delicadas sobre seu controle.
Nos bastidores do fórum, avançaram discussões sobre a versão final de uma proposta de acordo de paz a ser apresentada ao Kremlin. O texto, elaborado após sucessivas tentativas de mediação lideradas por Trump, teve participação direta de Witkoff e Dmitriev e incorporava, inicialmente, a maior parte das exigências russas.
Entre os pontos defendidos por Moscou estão o reconhecimento da anexação de territórios ocupados desde 2022 e a neutralidade permanente da Ucrânia, incluindo a proibição de ingresso na Otan e limitações às suas forças armadas.
Zelenski, com apoio de países europeus, reagiu e apresentou uma contraproposta considerada mais aceitável para Kiev, mas o texto foi rejeitado pelos russos. O impasse se manteve, em especial pela resistência ucraniana em aceitar perdas territoriais sem consulta popular.
A proposta em debate também prevê a criação de uma força de paz europeia, com respaldo dos Estados Unidos, para supervisionar um eventual cessar-fogo — ponto já descartado por Moscou, que declarou que tropas estrangeiras nesse papel seriam consideradas alvos legítimos.
No último encontro entre representantes de Trump e Putin, realizado em dezembro, o presidente russo manteve postura inflexível quanto às condições para o fim da guerra, respaldado pelo avanço das forças russas no campo de batalha.







Comentários