Toffoli reage a investigações da PF e cobra atuação mais ágil no caso Banco Master
- Adilson Silva

- há 6 dias
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A nova etapa das apurações sobre o Banco Master evidenciou um movimento de reação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli diante das cobranças e questionamentos em torno de sua condução do caso. Relator do inquérito, ele autorizou, na quarta-feira (14), uma operação contra 42 investigados, centralizou o controle das provas reunidas e passou a fazer críticas públicas e reservadas à atuação da Polícia Federal.

Segundo relatos de bastidores, Toffoli demonstra desconfiança em relação à forma como a investigação vem sendo conduzida por órgãos ligados ao governo federal, especialmente a PF. Em conversas privadas, o ministro avaliou que a postura dos investigadores contribuiu para desgastar sua imagem e a de outros integrantes da Corte, ao alimentar a percepção de que o Supremo estaria inerte diante do avanço das suspeitas envolvendo o banco.
Esse ambiente foi intensificado por informações divulgadas recentemente, como a contratação de um escritório ligado à família do ministro Alexandre de Moraes pelo Banco Master e a participação de irmãos de Toffoli em um fundo financeiro associado ao empresário Daniel Vorcaro. Autoridades que não atuam diretamente no caso avaliam que esses fatos vêm sendo explorados para lançar dúvidas sobre a imparcialidade dos ministros.
Toffoli também teria manifestado incômodo com declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou que o episódio pode representar “a maior fraude bancária da história do país”. Para interlocutores, a fala aumentou a pressão política e institucional sobre o Supremo.
Ao autorizar a segunda fase da operação Compliance Zero, o ministro buscou sinalizar, ao menos publicamente, que a investigação seguirá em andamento e que não há intenção de proteger Vorcaro, controlador do Banco Master. Ainda assim, sua atuação segue sob escrutínio. Críticos apontam decisões como o sigilo imposto ao processo e a determinação de acareações envolvendo investigados e dirigentes do Banco Central como fatores que alimentam suspeitas no mercado financeiro e na opinião pública.
O inquérito chegou ao STF após a defesa de Vorcaro alegar que o caso deveria tramitar na Corte devido à menção a uma negociação imobiliária envolvendo o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA). Desde que assumiu o controle da investigação, em dezembro, Toffoli enfrenta questionamentos sobre a condução do caso.
No despacho que autorizou novas buscas, inclusive contra o empresário Nelson Tanure, e a prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o ministro criticou formalmente a Polícia Federal. Ele cobrou explicações do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, pelo descumprimento de prazos fixados para a deflagração da operação.
Embora a autorização tenha sido concedida em 7 de janeiro, a ação só ocorreu uma semana depois. Investigadores argumentam que operações desse porte exigem planejamento prévio, como levantamento de endereços e avaliação de riscos. Ainda assim, Toffoli considerou a demora excessiva e reforçou as cobranças, fixando prazos mais curtos.
A tensão aumentou após reportagem revelar, dias antes da operação, vínculos de familiares do ministro com estruturas financeiras que, segundo a investigação, teriam relação com o Banco Master. Como resposta, Toffoli determinou que as provas apreendidas fiquem lacradas e sob custódia da Procuradoria-Geral da República, movimento interpretado por integrantes da PF como sinal de preocupação com possíveis vazamentos.
Na avaliação de investigadores ouvidos reservadamente, o ministro busca reafirmar sua autoridade sobre o inquérito e demonstrar que detém controle total sobre o ritmo e a intensidade das medidas adotadas no caso, em meio a um cenário de forte pressão institucional e política.







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