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Temer critica homenagem a Lula na Sapucaí, fala em “bajulação” e relembra desfile que o retratou como vampiro

O ex-presidente Michel Temer comentou o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, e aproveitou para fazer críticas indiretas ao atual governo.

Foto: Marcos Corrêa/PR/Arquivo
Foto: Marcos Corrêa/PR/Arquivo

Em nota divulgada por sua assessoria, Temer afirmou sentir “saudades da Tuiuti”, em referência à escola Paraíso do Tuiuti, que em 2018 o representou como um vampiro durante desfile que fazia críticas à conjuntura política da época.

“Bajulação” e defesa da liberdade artística

No posicionamento oficial, Temer classificou como “bajulação” a homenagem prestada a Lula neste ano. Apesar da crítica, ressaltou que o Carnaval é espaço de criatividade e fantasia, onde não cabe exigir rigor histórico.

Ele também afirmou ser defensor da liberdade de expressão e da manifestação artística, destacando que a sátira política faz parte da tradição carnavalesca.

Alfinetadas à política econômica

O ex-presidente, no entanto, ampliou o tom ao mencionar o que chamou de “ilusionismo na Esplanada”, numa referência ao governo federal. Temer citou preocupação com responsabilidade fiscal, juros elevados e crescimento do endividamento público.

No mesmo trecho, fez menção às reformas implementadas durante sua gestão — trabalhista, do ensino médio e da Previdência — sugerindo que avanços obtidos naquele período estariam sendo ignorados. Ao final da nota, lamentou o que classificou como “troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado”, retomando o slogan que marcou seu plano de governo.

Representação na avenida

Durante o desfile da Acadêmicos de Niterói, Temer foi retratado em uma cena que fazia alusão ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, de quem era vice. O processo segue sendo alvo de interpretações divergentes no meio político, com setores da esquerda classificando-o como golpe institucional.

O enredo percorreu a trajetória de Lula desde a infância até a chegada à Presidência da República. A apresentação incluiu referências políticas explícitas, com alas usando figurinos vermelhos com estrelas e menções críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Debate jurídico

Parte de especialistas ouvidos pela imprensa avalia que o conteúdo do desfile pode abrir margem para questionamentos na Justiça Eleitoral, sob a tese de possível propaganda antecipada. Integrantes do governo, por outro lado, têm rebatido essa interpretação e defendem que não houve irregularidade.

O episódio reacende o debate sobre os limites entre manifestação cultural, liberdade artística e disputa política em ano pré-eleitoral.

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