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Ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima desembolsou R$ 600 milhões antes de liquidação do Banco Pleno

O banqueiro baiano Augusto Lima destinou cerca de R$ 600 milhões de recursos próprios para tentar manter em funcionamento o Banco Pleno — antigo Voiter — até a decretação de sua liquidação pelo Banco Central do Brasil (BC), anunciada nesta quarta-feira (18).

Foto: Divulgação/Arquivo
Foto: Divulgação/Arquivo

Os aportes foram realizados para honrar certificados de depósito bancário (CDBs) que estavam vencendo, numa tentativa de preservar a operação enquanto buscava um investidor interessado em assumir a instituição. A estratégia, porém, não prosperou.

Falta de caixa levou à liquidação

Segundo informações do mercado financeiro, o banco ficou sem recursos suficientes em caixa para pagar os títulos emitidos, o que levou o BC a decretar a liquidação. Com isso, os bens do controlador tornaram-se indisponíveis.

Augusto Lima havia adquirido o Voiter no ano passado, assumindo um passivo estimado em R$ 6 bilhões em CDBs. A instituição fazia parte do conglomerado ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, com quem Lima manteve sociedade no passado.

Na ocasião da compra, o Banco Central impôs restrições, como a suspensão da emissão de novos CDBs, para evitar ampliação da exposição do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por assegurar depósitos e investimentos até o limite legal.

Patrimônio pessoal em risco

Ao assumir o controle da instituição, rebatizada de Banco Pleno, Lima comprometeu patrimônio estimado em aproximadamente R$ 1 bilhão para sustentar o banco e cumprir obrigações financeiras, incluindo dívidas herdadas da negociação com antigos controladores.

O uso de recursos próprios tende a reduzir o impacto para o FGC no ressarcimento de investidores após a quebra.

Contexto e investigações

O Pleno se soma a outras instituições relacionadas direta ou indiretamente ao grupo Master que enfrentaram liquidação nos últimos meses, em meio às investigações da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Vorcaro e Lima chegaram a ser presos e posteriormente liberados com uso de tornozeleira eletrônica.

Quando o Banco Central aprovou a compra do Voiter por Lima, em julho de 2025, ele não figurava formalmente como investigado por fraude contra o sistema financeiro, embora já houvesse suspeitas sobre operações do Master envolvendo carteiras de crédito consignado.

Após o agravamento da crise, Lima foi afastado da gestão do banco, que passou a ter nova direção. Ainda assim, interlocutores do mercado apontam que pessoas próximas ao controlador continuaram atuando na administração.

A liquidação do Banco Pleno já era considerada provável por analistas, diante do elevado volume de CDBs e da dificuldade de capitalização da instituição em meio às investigações e à deterioração da confiança no grupo empresarial.


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