Tarcísio lamenta condenação de Bolsonaro e reafirma que não disputará a Presidência em 2026
- Adilson Silva

- há 4 dias
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comentou nesta terça-feira (25) a confirmação da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo STF. Segundo ele, a decisão foi recebida “com tristeza” e é injusta. Tarcísio voltou a afirmar que acredita na inocência do ex-presidente e defendeu que a pena seja cumprida em regime domiciliar por razões humanitárias.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse ter recebido "com tristeza" a condenação definitiva de Jair Bolsonaro (PL) no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele afirmou que o ex-presidente é inocente, que participará da articulação pela anistia e defendeu que a pena seja cumprida em prisão domiciliar por questões humanitárias.
"Eu recebo sempre com muita tristeza, porque confio muito na inocência do presidente. Trabalhei com o presidente, conheci o presidente, sei da boa intenção, do bom propósito. Uma pessoa que sempre procurou fazer o melhor", disse.
A declaração foi feita durante um evento com clima de pré-campanha no Palácio dos Bandeirantes, onde Tarcísio recebeu prefeitos de cerca de 200 cidades para marcar a entrega de automóveis para fundos sociais municipais.
"Acho que tudo isso que está acontecendo é injusto e confio que o tempo vai esclarecer toda a verdade. Confio na inocência do presidente, confio que um dia isso vai ser esclarecido e que a gente vai ver o presidente solto novamente", disse o governador.
Tarcísio voltou a negar ser pré-candidato à Presidência. "Eu não estou pensando em cenário eleitoral. A eleição está muito longe. Agora, eu tenho dito sempre que eu sou candidato à reeleição. Tenho interesse de ficar em São Paulo. [...] Estou muito focado aqui no meu trabalho em São Paulo, no meu projeto de São Paulo, nos projetos de longo prazo. Estou comprometido com isso aqui."
Apesar da negativa, aliados do próprio Tarcísio e de Bolsonaro discutem a sucessão de 2026 desde antes da condenação. Dirigentes da centro-direita afirmam reservadamente que o governador paulista é o plano B natural a Bolsonaro, embora bolsonaristas apontem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, como opção.
"Não vamos nos esquecer que a grande liderança da direita é o Bolsonaro e quem vai decidir a candidatura da direita é o Bolsonaro", disse Tarcísio. "Ele continua sendo o líder desse movimento que ele criou, que ele tem um capital político e ele vai definir."
Perguntado se aceitaria ser o nome indicado por Bolsonaro, ele negou: "Eu não estou neste bolo. Estou focado em São Paulo."
Tarcísio também foi questionado sobre a saúde mental de Bolsonaro após a tentativa de violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. Ele evitou tratar do assunto e direcionou a crítica ao monitoramento judicial.
"Vamos parar para pensar: ele já estava preso em casa. [...] Qual a necessidade de ter uma tornozeleira? [...] É uma pessoa que acaba tendo essas oscilações de consciência. Foi um momento de oscilação."
O STF afirmava que o equipamento era necessário porque, mesmo em prisão domiciliar, Bolsonaro apresentava risco concreto de fuga.
Tarcísio declarou que fará "tudo o que puder" para aprovar uma anistia ao ex-presidente no Congresso. O governo federal se posicionou de forma contrária: o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, já afirmou que "não há base jurídica para anistia" em casos de ataque às instituições democráticas, e parlamentares da base do presidente Lula veem a proposta como inviável.
"Bolsonaro é um grande amigo que eu tenho e nas horas da dificuldade é que os amigos têm que estar juntos", disse Tarcísio.
Antes do evento, o governador passou cerca de 50 minutos tirando fotos com o público, em um corpo a corpo que incluiu segurar crianças no colo e prometer atendimento a demandas feitas na hora pelos políticos presentes.
Durante o discurso, Tarcísio não mencionou o trânsito em julgado do processo do ex-presidente —disse ter sido informado somente depois— e apresentou números de sua gestão, como entregas habitacionais, cirurgias e investimentos.
Ao final, ele posou no palco com representantes das prefeituras contempladas, segurando uma chave gigante de papel. Em eventos recentes, esse formato tem se repetido: prefeitos convocados ao auditório do Palácio dos Bandeirantes, citações de emendas parlamentares e plateia lotada de aliados, sempre em clima de mobilização eleitoral antecipada.
Nesta terça-feira, enquanto Tarcísio posava com as chaves, um apresentador anunciava os nomes dos deputados estaduais que contribuíram com emendas para as compras.
“Confio muito na inocência do presidente. Trabalhei ao lado dele, conheço sua intenção e o quanto buscou fazer o melhor pelo país”, declarou.
As falas ocorreram durante um evento no Palácio dos Bandeirantes, onde o governador recebeu prefeitos de aproximadamente 200 municípios para entregar veículos destinados a programas sociais — ato que reforçou o clima político do encontro.
Apesar de ser apontado nos bastidores como possível sucessor de Bolsonaro para a disputa presidencial de 2026, Tarcísio voltou a negar que esteja no páreo. Segundo ele, sua prioridade é tentar a reeleição em São Paulo.
“A eleição ainda está distante. Tenho dito repetidamente: sou candidato à reeleição. Meu foco é São Paulo e os projetos que estamos desenvolvendo aqui”, afirmou.
Mesmo assim, articulações entre dirigentes do campo conservador seguem ocorrendo. Para aliados próximos, Tarcísio seria um nome competitivo caso Bolsonaro — impedido pela condenação — não possa concorrer. Já setores mais alinhados ao bolsonarismo defendem o nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Questionado sobre uma eventual indicação do ex-presidente para uma candidatura futura, Tarcísio negou novamente: “Não estou nessa discussão. Minha atenção está no governo de São Paulo.”
O governador também rebateu críticas relacionadas ao episódio em que Bolsonaro teria tentado danificar a tornozeleira eletrônica, minimizando a situação. Segundo ele, medidas como o monitoramento judicial são excessivas:“Ele já estava em prisão domiciliar. Qual a necessidade da tornozeleira?”
Tarcísio afirmou que atuará para buscar anistia ao ex-presidente no Congresso Nacional. A proposta, no entanto, encontra resistência no governo federal e na base parlamentar aliada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, já declarou que não vê fundamento jurídico para esse tipo de medida.
No evento, antes do pronunciamento, o governador tirou fotos, conversou com apoiadores e participou de cerimônias simbólicas, como a entrega de uma chave gigante representando os novos veículos. Nos últimos meses, encontros semelhantes têm se tornado frequentes, reunindo prefeitos, parlamentares e aliados — cenário que tem sido interpretado por analistas como preparação indireta para o calendário eleitoral de 2026.







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