Sem nome definido em Minas, Lula inicia 2026 sem base eleitoral clara no estado
- Adilson Silva

- 7 de jan.
- 3 min de leitura
Apesar de ter intensificado sua presença em Minas Gerais ao longo de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao início de 2026, ano de eleição presidencial, sem um palanque claramente definido no estado. Considerado estratégico por abrigar o segundo maior eleitorado do país, Minas costuma ser visto como decisivo no resultado das disputas nacionais: desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos venceram também no território mineiro.

O aumento das viagens presidenciais ao estado no último ano contrasta com o início do atual mandato, em 2023, quando Minas sequer integrou o roteiro oficial do presidente. Em parte dessas agendas mais recentes, Lula esteve acompanhado do senador Rodrigo Pacheco (PSD), que chegou a adotar discursos com tom eleitoral e se posicionou como contraponto político ao governador Romeu Zema (Novo) e a possíveis sucessores no Executivo estadual, como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o vice-governador Mateus Simões (PSD).
No entanto, a possibilidade de Pacheco se tornar o principal aliado de Lula na disputa mineira perdeu força nos últimos meses de 2025. O desgaste aumentou após o senador não ser indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, que acabou ocupada por Jorge Messias. Segundo relatos, Pacheco sinalizou ao presidente que pretende deixar a vida pública ao fim do mandato no Senado, em fevereiro de 2027.
Outro obstáculo à sua eventual candidatura é o alinhamento partidário do vice de Zema ao PSD, legenda presidida por Gilberto Kassab, o que dificultaria uma composição política favorável ao Palácio do Planalto.
Mesmo assim, Lula afirma publicamente que não abandonou a ideia de contar com Pacheco como candidato em Minas, hipótese que dependeria de uma mudança partidária. Em entrevista concedida em dezembro, o presidente disse acreditar que o senador ainda pode rever sua posição e desempenhar papel decisivo na eleição presidencial.
Nos bastidores, porém, o PT trabalha com outras alternativas para estruturar um palanque no estado. Uma das opções discutidas é o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB). Ele participou do último evento de Lula em Belo Horizonte em 2025, ocasião marcada pela ausência de Pacheco. A articulação, conduzida pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, inclui a possibilidade de filiação de Tadeuzinho — como é conhecido — ao PSB para viabilizar uma candidatura.
O deputado, que tem base eleitoral no norte do estado, entretanto, demonstra resistência à ideia de disputar um cargo majoritário em 2026. Além disso, sua atuação à frente da Assembleia, especialmente no processo de aprovação da privatização da Copasa, enfrenta críticas da esquerda e gerou desgaste junto à militância petista. Durante o evento com Lula na capital mineira, ele chegou a ser vaiado por parte do público.
Internamente, o PT reconhece como quadros eleitoralmente fortes as prefeitas de Contagem, Marília Campos, e de Juiz de Fora, Margarida Salomão. Ambas, no entanto, negam intenção de concorrer ao governo estadual. Marília admite a possibilidade de disputar uma vaga no Senado, enquanto Margarida sinaliza que deve permanecer à frente da prefeitura.
Outra alternativa em avaliação é repetir a aliança firmada em 2022 com Alexandre Kalil (PDT). O ex-prefeito de Belo Horizonte, porém, encontra-se inelegível por decisão da Justiça Eleitoral em primeira instância. Embora não descarte receber apoio do PT, Kalil tem indicado que prefere não reeditar a estratégia da última eleição, quando foi rotulado como “o candidato de Lula”.
Situação semelhante envolve Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo mineiro. Ele busca se apresentar como uma opção fora da polarização entre PT e PL, mantendo distância tanto do campo lulista quanto do bolsonarismo.







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