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Relatos indicam contatos frequentes de Moraes com presidente do BC durante análise da venda do Banco Master

Fontes ligadas aos meios jurídico e financeiro relatam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes manteve uma sequência de contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante a análise da proposta de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Em uma dessas ocasiões, o ministro teria telefonado seis vezes no mesmo dia para acompanhar o andamento da negociação.

Segundo os relatos, Moraes conversou com Galípolo ao menos cinco vezes sobre o tema, incluindo uma reunião presencial. A frequência dos contatos chamou atenção por coincidir com o período em que o Banco Central avaliava a operação, vista como decisiva para a sobrevivência do Banco Master, então controlado por Daniel Vorcaro. A instituição acabaria sendo liquidada em 18 de novembro, sob suspeita de irregularidades financeiras de grande magnitude.

As informações contrastam com as explicações divulgadas oficialmente pelas autoridades. Em manifestação pública, Moraes declarou que os contatos tiveram como objetivo único tratar dos efeitos da Lei Magnitsky, norma dos Estados Unidos que impõe sanções econômicas. O Banco Central confirmou a existência de diálogos, mas limitou-se a informar que o tema envolvia as sanções internacionais, sem entrar em detalhes sobre o conteúdo das conversas.

A troca de mensagens fora da agenda institucional foi revelada pela imprensa e posteriormente confirmada por fontes que tiveram acesso aos relatos de envolvidos no caso. De acordo com essas informações, os contatos ocorreram em um momento de divisão interna no Banco Central sobre a conveniência de aprovar ou rejeitar a compra do Banco Master pelo BRB.

Durante as conversas, Moraes teria apresentado argumentos semelhantes aos defendidos por Vorcaro, segundo os quais bancos de maior porte resistiam à operação por receio de aumento da concorrência no setor. O negócio foi anunciado no final de março, mas acabou sendo barrado pela autoridade monetária no dia 3 de setembro.

O episódio ganhou maior repercussão em razão da relação contratual entre o Banco Master e um escritório de advocacia ligado à família do ministro. Conforme reportagens anteriores, o escritório da advogada Viviane Moraes prestava serviços ao banco mediante contrato com valores elevados e vigência prevista até 2027, encerrado após a liquidação da instituição.

Diante da repercussão, Moraes reiterou que sua atuação se limitou à discussão dos impactos práticos das sanções internacionais, como a manutenção de contas bancárias e o uso de meios de pagamento. O ministro afirmou ainda ter mantido contatos semelhantes com dirigentes de outras instituições financeiras e representantes do setor. Nenhuma das notas oficiais, entretanto, faz menção direta ao Banco Master.

No âmbito político, o caso gerou reação imediata. Parlamentares avaliam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o contrato firmado pelo escritório ligado à família do ministro e eventual interferência junto ao Banco Central.

Apesar da versão apresentada pelo magistrado, a intensidade dos contatos e o contexto em que ocorreram reacenderam o debate sobre possíveis conflitos entre interesses institucionais e privados em decisões que envolvem o sistema financeiro brasileiro.

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