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Relatos apontam insistência de Moraes junto ao BC em negociação envolvendo Banco Master e BRB

Informações obtidas por pessoas do meio jurídico e do mercado financeiro indicam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes manteve contato frequente com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Em um único dia, Moraes teria feito seis ligações telefônicas ao chefe da autoridade monetária para acompanhar o andamento da operação.

Foto: Luiz Silveira/STF/Arquivo
Foto: Luiz Silveira/STF/Arquivo

De acordo com esses relatos, o ministro participou de pelo menos cinco conversas com Galípolo sobre o tema, incluindo um encontro presencial. O volume e o teor dos contatos chamaram atenção por ocorrerem durante o período em que o Banco Central analisava a transação, considerada crucial para o futuro da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro, posteriormente liquidada pelo BC em 18 de novembro, sob suspeita de irregularidades bilionárias.

As informações contrastam com as versões apresentadas oficialmente nesta terça-feira (23). Em nota, Moraes afirmou que os contatos tiveram como finalidade exclusiva discutir os impactos da Lei Magnitsky, legislação americana que prevê sanções econômicas. O Banco Central também confirmou que houve diálogo, mas limitou-se a afirmar que o assunto envolvia as sanções impostas pelos Estados Unidos, sem detalhar o conteúdo das conversas.

A existência de contatos fora da agenda oficial veio a público após reportagem da imprensa nacional e foi confirmada por diferentes fontes ouvidas reservadamente. Segundo esses relatos, as conversas ocorreram em um momento de divergência interna no Banco Central sobre a aprovação ou não da compra do Master pelo BRB.

Durante os diálogos, Moraes teria reproduzido argumentos apresentados por Vorcaro, segundo os quais grandes instituições financeiras se opunham à operação por receio de concorrência no mercado bancário. A negociação foi anunciada no fim de março, mas acabou rejeitada pelo Banco Central em 3 de setembro.

O episódio ganhou contornos ainda mais sensíveis diante da relação profissional entre o Banco Master e o escritório de advocacia ligado à família do ministro. Conforme revelado anteriormente pela imprensa, o escritório da advogada Viviane Moraes mantinha contrato para prestar serviços ao banco, com valores mensais expressivos e vigência até 2027, encerrado após a liquidação da instituição.

Diante da repercussão, Moraes sustentou que buscou autoridades do sistema financeiro para discutir exclusivamente os efeitos práticos das sanções, como o acesso a contas bancárias e meios de pagamento. O ministro afirmou ainda que manteve contatos semelhantes com dirigentes de outras instituições financeiras e representantes do setor bancário. Nenhuma das notas oficiais, porém, menciona diretamente o Banco Master.

No campo político, o caso provocou reações imediatas. Parlamentares passaram a discutir a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o contrato firmado pelo escritório ligado à família do ministro e a eventual prática de advocacia administrativa junto ao Banco Central.

Embora Moraes afirme que sua atuação esteve restrita às consequências das sanções internacionais, os relatos sobre a intensidade dos contatos e o contexto da negociação reacenderam o debate sobre a separação entre interesses públicos e privados em decisões que envolvem o sistema financeiro nacional.

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