Protesto do dia 1º expõe divergência interna no bolsonarismo sobre foco da mobilização
- Adilson Silva

- há 2 dias
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O anúncio de um ato marcado para 1º de março evidenciou divergências internas no campo bolsonarista. O deputado federal Nikolas Ferreira convocou a manifestação com o slogan “Fora Lula, Moraes e Toffoli”, defendendo também o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Parte da ala mais próxima do ex-presidente Jair Bolsonaro avalia, porém, que não seria estratégico concentrar esforços neste momento na saída do ministro Dias Toffoli. Para esse grupo, a prioridade deve ser a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e a defesa da liberdade do ex-chefe do Executivo.
Nos bastidores, aliados argumentam que ampliar o confronto institucional poderia ter efeitos eleitorais indesejados. Há o entendimento de que um eventual afastamento de integrante da Corte abriria espaço para nova indicação presidencial, o que fortaleceria o governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo. O nome do ministro Alexandre de Moraes também segue como alvo de críticas recorrentes de parlamentares alinhados ao bolsonarismo.
A divergência ganhou força nas redes sociais. Nikolas afirmou que seria incoerente defender há anos o impeachment de ministros e, agora, relativizar a pauta. Em resposta indireta, parlamentares como Gil Diniz reforçaram que a anistia deve ser o foco central da mobilização.
O episódio também reflete disputas por protagonismo dentro do próprio grupo político. O deputado já teve embates públicos com Eduardo Bolsonaro, enquanto mantém relação mais próxima com Michelle Bolsonaro. Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro aparece como nome citado em articulações eleitorais para 2026, ampliando o contexto estratégico das decisões atuais.
Embora lideranças neguem uma ruptura formal, a organização do protesto evidenciou leituras distintas sobre prioridades políticas e a condução da estratégia da direita no cenário pré-eleitoral.







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