Prefeitura de Congonhas suspende alvará da Vale após dois vazamentos em menos de 24 horas
- Adilson Silva

- 26 de jan.
- 2 min de leitura
A Prefeitura de Congonhas, na região central de Minas Gerais, decidiu suspender temporariamente o alvará de funcionamento da Vale após o registro de dois vazamentos em unidades da mineradora que operam no município.

Os episódios ocorreram no domingo (25), em pontos distintos e em horários diferentes.
De acordo com a administração municipal, o primeiro incidente aconteceu durante a madrugada, enquanto o segundo foi registrado no período da tarde. Procurada, a Vale informou que ambos os extravasamentos foram controlados e não estão relacionados às barragens da empresa na região. A companhia afirmou ainda que apura as causas dos eventos e que mantém rotinas periódicas de inspeção e manutenção preventiva em suas estruturas.
Em nota, a mineradora esclareceu que não houve liberação de rejeitos de mineração, mas apenas o escoamento de água misturada a sedimentos, como terra.
O primeiro vazamento foi registrado na mina de Fábrica, localizada entre os municípios de Ouro Preto e Congonhas. O episódio provocou uma enxurrada de lama que atingiu a área administrativa da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Segundo o prefeito Anderson Cabido (PSB), o volume liberado ultrapassou 200 mil metros cúbicos de água, que carregou materiais minerais ao longo do trajeto e alcançou o córrego Goiabeiras, afluente do rio Maranhão.
O segundo caso ocorreu em uma estrutura de drenagem responsável por reter água e sedimentos da mina Viga, situada entre as regiões de Plataforma e Esmeril. Esse vazamento resultou no despejo de lama no rio Maranhão, que deságua no rio Paraopeba — curso d’água impactado pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, há sete anos.
A Defesa Civil informou que não houve interdição de vias nem registro de comunidades atingidas, embora a prefeitura reconheça a existência de impacto ambiental. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, João Luis Lobo, o alvará da Vale permanecerá suspenso até que a empresa adote medidas eficazes para conter a situação.
O secretário também criticou a demora na comunicação dos incidentes. De acordo com ele, o município só foi informado do primeiro vazamento horas depois de sua ocorrência, e o segundo teria sido comunicado com atraso semelhante.
A Vale não comentou especificamente a decisão da prefeitura. Já a Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que acompanha os dois episódios e reforçou que não houve ruptura, colapso ou comprometimento de barragens ou pilhas de rejeitos.
No ano passado, a ANM reduziu de nível 3 para 2 o grau de emergência da barragem Forquilha 3, situada na mina de Fábrica. A estrutura integra o grupo de 11 empreendimentos em processo de descaracterização. A Vale afirma ter eliminado outras 19 barragens a montante em todo o país.
A tragédia de Brumadinho, ocorrida em 25 de janeiro de 2019, deixou 272 mortos. Estudos recentes indicam que a contaminação do solo na bacia do rio Paraopeba ainda dificulta a recuperação ambiental, com rejeitos espalhados por cerca de 2,4 mil hectares após enchentes registradas entre 2020 e 2022.







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