Português é detido após oferecer recompensa por ataques a brasileiros em vídeo
- Adilson Silva

- 10 de set.
- 2 min de leitura
Internacional
A Polícia Judiciária de Portugal prendeu, nesta segunda-feira (8), João Paulo Silva Oliveira, de 56 anos, acusado de incitar violência contra imigrantes. Em um vídeo publicado no TikTok no início do mês, o português ofereceu 500 euros (cerca de R$ 3,1 mil) por cada “cabeça de brasileiro”, o que gerou forte reação da comunidade no país.

Oliveira, que trabalhava como confeiteiro em uma padaria, foi localizado em sua residência, em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro. De acordo com as autoridades, ele já tinha passagens por crimes relacionados a danos ao patrimônio. Após a prisão, foi conduzido para interrogatório e deve ser apresentado à Justiça nesta terça-feira (9), que decidirá se ele seguirá detido ou responderá em liberdade.
Em comunicado oficial, a Polícia Judiciária afirmou que o investigado ofereceu dinheiro para que atos de extrema violência fossem cometidos contra cidadãos estrangeiros, “abalando o sentimento de tranquilidade e segurança da comunidade”. A ação rápida da polícia, segundo o jornal Público, buscou amenizar o clima de medo entre os imigrantes brasileiros.
Durante a gravação que viralizou, o homem aparece exibindo uma nota de 500 euros e incita a prática de crimes brutais contra brasileiros, chamando-os de forma pejorativa. A repercussão foi imediata, e um grupo de 39 advogados apresentou denúncia formal ao Ministério Público, alegando que as declarações configuram incitação ao homicídio, apologia de crime e discurso de ódio.
O episódio reforça a preocupação com o crescimento da xenofobia em Portugal. Um relatório recente da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância apontou que as notificações de crimes de ódio no país saltaram de 63 em 2019 para 327 em 2024.
O caso surge em meio a debates sobre mudanças na legislação de imigração, cujo projeto inicial foi rejeitado pelo Tribunal Constitucional. O tema tem sido fortemente explorado pelo partido de extrema-direita Chega. Em uma sessão no Parlamento, o líder da sigla, André Ventura, chegou a expor nomes de crianças de origem estrangeira em escolas públicas, atitude que foi amplamente repudiada.







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