Por que ACM Neto precisa disputar o governo em 2026 para manter sua relevância política
- Adilson Silva

- 16 de out.
- 3 min de leitura
Os desafios e dilemas do principal nome da oposição baiana
16 de outubro de 2025 | 09:04
Os últimos ciclos eleitorais deixaram marcas profundas na trajetória de ACM Neto (União Brasil), ex-prefeito de Salvador e figura central da oposição ao PT na Bahia. Tanto em 2018 quanto em 2022, suas decisões políticas moldaram a forma como é visto hoje — por aliados e adversários — e criaram um dilema que parece inevitável: entrar ou não na disputa pelo governo do Estado em 2026.

A decisão de 2018 e suas consequências
Em 2018, quando todos esperavam que ACM Neto deixasse a prefeitura para disputar o governo, ele surpreendeu ao desistir da candidatura. A decisão frustrou correligionários e abalou a confiança de muitos aliados que contavam com sua liderança para romper a hegemonia petista na Bahia.
Com uma gestão municipal amplamente aprovada, Neto era considerado a aposta natural para enfrentar o PT nas urnas. No entanto, preferiu concluir o mandato e se afastar momentaneamente do embate estadual — movimento que, embora estratégico à época, cobrou um preço alto em termos de credibilidade política.
A campanha de 2022: desgaste e isolamento
Quatro anos depois, em 2022, ACM Neto finalmente lançou-se candidato ao governo, mas o cenário era bem menos favorável. Além de carregar o peso da desistência anterior, ele enfrentou uma eleição polarizada entre Lula e Jair Bolsonaro, sem ter um candidato a presidente que o fortalecesse nacionalmente.
Optou por manter distância de Bolsonaro — decisão que, embora coerente com sua postura democrática, gerou ruído entre aliados mais à direita. No fim, ficou sem o apoio integral de uma base coesa e sem o impulso necessário para vencer. A derrota consolidou o PT mais uma vez no comando do Estado e deixou Neto diante de um novo impasse político.
Por que 2026 é um ponto de virada
Após as experiências de 2018 e 2022, Neto não tem mais margem para recuar. Se decidir não disputar o governo em 2026, corre o risco de ver sua liderança dentro da oposição se esvaziar. Outros nomes — mesmo menos expressivos — podem ocupar o espaço que hoje ele domina.
Entre as alternativas cogitadas nos bastidores está o ex-ministro João Roma (PL), ex-aliado que se tornou adversário político. Apesar de Roma não ter força suficiente para unir o grupo oposicionista, uma eventual candidatura sua poderia aumentar sua visibilidade e abrir uma brecha para o surgimento de novas lideranças, ameaçando o protagonismo de Neto.
Os riscos de se ausentar do pleito
Se optar por não entrar na corrida, ACM Neto pode ver sua influência política diluir-se rapidamente. Sua ausência fortaleceria vozes internas que já defendem outros caminhos para 2030, como o nome do atual prefeito Bruno Reis (União Brasil).
Além disso, a falta de exposição em uma eleição estadual reduziria o peso de Neto nas articulações nacionais, justamente em um momento em que o cenário político brasileiro pode passar por transformações significativas — especialmente com a impossibilidade de Lula disputar novamente a presidência.
Um futuro de poucas alternativas
Caso dispute e venha a perder novamente, resta a ACM Neto uma opção estratégica: retornar à política municipal, concorrendo à Prefeitura de Salvador em 2028. Seria uma forma de preservar o capital político e manter-se ativo enquanto reorganiza seu espaço dentro da oposição baiana.
No entanto, se escolher o caminho da cautela e permanecer fora da disputa de 2026, é provável que o ex-prefeito veja seu nome perder força no cenário estadual, abrindo espaço para uma reconfiguração completa das lideranças oposicionistas.
Conclusão: o jogo decisivo de ACM Neto
O ano de 2026 representa, para ACM Neto, um divisor de águas. Participar da eleição pode significar tanto a recuperação de sua influência quanto um novo revés político. Mas, diante das circunstâncias, a omissão parece o maior risco.
A oposição baiana, carente de um líder sólido, ainda enxerga em Neto sua principal referência. Porém, para continuar exercendo esse papel, ele precisará voltar ao campo de batalha — mesmo sem garantias de vitória.







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