Planalto vê risco de atuação dos EUA na eleição de 2026 mesmo com diálogo entre Lula e Trump
- Adilson Silva

- 7 de jan.
- 2 min de leitura
Apesar da relação considerada cordial entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, integrantes do governo brasileiro avaliam que os Estados Unidos podem tentar influenciar o processo eleitoral de 2026 no Brasil em favor de um candidato alinhado à direita.

Na leitura de auxiliares do Planalto, gestos recentes de Trump — como a redução de tarifas sobre produtos brasileiros e o recuo em sanções previstas na Lei Magnitsky — não significam uma mudança definitiva de postura. A avaliação interna é de que essas medidas podem ter caráter estratégico e temporário, especialmente após o fracasso de iniciativas externas para impedir a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O governo brasileiro observa com atenção episódios recentes em outros países da América Latina. Na Argentina, Trump condicionou a liberação de um pacote financeiro de US$ 20 bilhões a um desempenho favorável do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas. Em Honduras, o presidente americano declarou apoio explícito ao candidato da ultradireita, Nasry “Tito” Asfura, em uma disputa marcada por denúncias de interferência externa.
No caso hondurenho, a presidente Xiomara Castro, de orientação à esquerda, sustenta que houve manipulação do processo eleitoral. Durante a campanha, Trump acusou a candidata governista de ser comunista e de abrir espaço para a influência do governo venezuelano. Às vésperas da votação, ele ainda concedeu indulto ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, aliado político de Asfura, condenado nos EUA por tráfico internacional de drogas.
Passadas semanas da eleição, o resultado segue indefinido, com apuração especial em andamento. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA revogou vistos de autoridades eleitorais ligadas ao partido de Xiomara Castro, sob a alegação de interferência no processo de contagem dos votos.
Diante desse cenário, o governo Lula considera necessário adotar mecanismos preventivos para reduzir o risco de ingerência externa. Um dos caminhos apontados é o fortalecimento da cooperação bilateral no combate ao crime transnacional, iniciativa anunciada recentemente. Avalia-se que esse tipo de parceria pode neutralizar tentativas de grupos políticos brasileiros de buscar apoio internacional sob o argumento de enfrentamento ao crime organizado.
No Planalto, a percepção é de que a política externa terá um peso incomum na próxima disputa presidencial. A expectativa é de que Trump se posicione de forma aberta a favor do nome que representar a direita brasileira, por afinidade ideológica com o atual governo norte-americano.
Além da agenda eleitoral, o governo brasileiro acompanha com cautela os movimentos dos EUA em relação à Venezuela. Autoridades admitem preocupação com a possibilidade de uma ação militar americana durante o recesso institucional no Brasil. Impedir uma intervenção é tratado como prioridade absoluta, já que um eventual ataque sob o pretexto de combate ao narcotráfico poderia abrir precedentes para ações semelhantes em outros países da região, como Colômbia e México.
No campo bilateral, Brasil e Estados Unidos ainda negociam a eliminação completa das tarifas remanescentes sobre produtos brasileiros e a restituição de vistos revogados de autoridades e familiares. Um encontro ministerial previsto inicialmente para novembro foi adiado e deve ocorrer apenas em janeiro.







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