PF investiga mansão de Nelson Wilians em caso de lavagem ligado ao “escândalo do INSS”
- Adilson Silva

- 15 de set.
- 2 min de leitura
A Polícia Federal colocou sob suspeita uma transação milionária que envolve o advogado Nelson Wilians, figura de destaque no meio jurídico e conhecido por atuar em casos de grande repercussão, como a defesa de Rose Miriam, mãe dos filhos do apresentador Gugu Liberato, na disputa pela herança do comunicador. O ponto central da investigação é a compra de uma mansão de R$ 22 milhões, localizada no Jardim Europa, área nobre de São Paulo, que foi posteriormente demolida e incorporada ao terreno da casa do advogado, transformando-se em um jardim particular.

De acordo com a apuração, a negociação teria sido intermediada pelo empresário Maurício Camisotti, apontado como peça-chave no esquema conhecido como “farra dos descontos do INSS” — fraude que teria desviado valores de aposentados e pensionistas por meio de entidades de fachada. Camisotti é suspeito de controlar ao menos três dessas entidades, que vinham sendo investigadas desde a Operação Sem Desconto.
A suspeita levantada pelos investigadores é de que a mansão funcionou como meio para lavar recursos oriundos do esquema. O imóvel, que pertencia à família do empresário Abílio Diniz, nunca chegou a ser transferido oficialmente para o nome de Nelson Wilians, mas acabou incorporado de fato à sua propriedade. Para os agentes, esse detalhe reforça os indícios de ocultação patrimonial.
A operação que mira o caso é a Cambota, desdobramento direto da Sem Desconto. No âmbito da ação, a PF pediu a prisão tanto de Wilians quanto de Camisotti. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão do empresário, mas negou o mesmo pedido em relação ao advogado. Ainda assim, a ligação entre ambos permanece sob escrutínio.
Na mesma ofensiva, foi preso também o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, considerado operador político-financeiro do esquema e já apontado pela CPI do INSS como figura central nas negociações.
Segundo relatório da PF, chama atenção o fato de Nelson Wilians ter buscado antecipadamente justificar suas relações financeiras com Camisotti, em um contexto em que as denúncias já eram de conhecimento público desde 2024. Para os investigadores, esse comportamento indica tentativa deliberada de ocultação de patrimônio. As versões apresentadas incluíam “operações imobiliárias inexistentes” nos registros oficiais e supostos pagamentos adiantados de honorários advocatícios, sem respaldo nas movimentações bancárias.
O caso expõe não apenas o alcance do esquema de fraudes no INSS, que já gerou operações em cadeia, mas também o envolvimento de nomes de peso da elite empresarial e jurídica. Para especialistas em direito penal consultados pela PF, a suspeita de que uma propriedade de alto valor tenha sido utilizada como fachada para lavar dinheiro representa um “marco grave” na investigação, pois conecta o núcleo jurídico ao núcleo financeiro da fraude.
Com a apuração em curso, a expectativa é que novas medidas sejam tomadas nas próximas semanas, inclusive com possíveis quebras de sigilo bancário e fiscal. O episódio aumenta a pressão sobre o entorno político e empresarial ligado ao esquema e reforça a narrativa de que a “farra do INSS” não se limitou a figuras intermediárias, mas atingiu o mais alto escalão de influências no país.







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