PF aponta empresário conhecido como “Careca do INSS” como controlador oculto de entidade de pescadores
- Adilson Silva

- 7 de jan.
- 2 min de leitura
A Polícia Federal identificou o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, como suposto controlador de fato de uma entidade de pescadores investigada por realizar descontos irregulares em benefícios previdenciários.

A apuração envolve a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura (CBPA).
As conclusões fazem parte da quinta etapa da Operação Sem Desconto, deflagrada recentemente para aprofundar as investigações sobre fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Procurada, a defesa do empresário informou que não comentaria o caso por ainda não ter acesso ao processo.
De acordo com a PF, a CBPA teria arrecadado cerca de R$ 99 milhões por meio de descontos aplicados sem autorização dos beneficiários, registrando um crescimento significativo a partir de 2023. Os investigadores apontam que Antônio Camilo atuaria em conjunto com outros dois aliados como gestor oculto da entidade.
Em relatório encaminhado à Justiça, a Polícia Federal afirma que as provas reunidas indicam que Antônio Camilo, Gabriel Negreiros e Tiago Schettini exerciam o controle efetivo da confederação, apesar de não figurarem formalmente na administração.
A investigação também identificou transferências financeiras da CBPA para uma empresa ligada a Antunes, o que, segundo a PF, teria como objetivo desviar recursos provenientes dos descontos feitos nos benefícios de aposentados.
As defesas de Gabriel Negreiros e Tiago Schettini não foram localizadas até o momento. Ambos foram alvos de mandados de prisão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável por autorizar a nova fase da operação.
Sobre a Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto apura um esquema de fraudes envolvendo associações que realizavam cobranças indevidas diretamente nos benefícios do INSS, sem o consentimento dos segurados. Segundo as autoridades, os valores arrecadados eram utilizados para financiar as próprias entidades e beneficiar os organizadores do esquema.
Nesta etapa, foram autorizados 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão, cumpridos em diversos estados, incluindo Distrito Federal, São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão. Entre os crimes investigados estão falsidade ideológica, organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação de patrimônio.







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