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Oposição no Nordeste evita nacionalizar eleições; estratégia também é adotada por ACM Neto na Bahia

Pré-candidatos da oposição aos governos estaduais no Nordeste têm adotado uma estratégia de priorizar temas locais e evitar que a disputa eleitoral seja nacionalizada pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. O movimento inclui o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que tem evitado vincular sua campanha à do parlamentar liberal.

Segundo análise publicada pelo jornal O Globo, a postura busca reduzir os impactos da polarização nacional em estados onde Lula mantém forte influência eleitoral. Especialistas apontam que o presidente ainda possui elevada capacidade de transferência de votos na região, fator que leva candidatos oposicionistas a concentrar seus discursos em pautas estaduais.

Esse cenário representa um desafio para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Nordeste. Até o momento, o pré-candidato não conta com palanques estaduais em cinco dos nove estados da região. Na Bahia e no Ceará, por exemplo, ACM Neto e Ciro Gomes (PSDB), respectivamente, fazem oposição aos governadores petistas que disputam a reeleição, mas descartam, ao menos no primeiro turno, formalizar apoio ao nome do PL para a Presidência.

Para o cientista político Marcos Paulo Campos, da Universidade Estadual do Ceará, a estratégia de ACM Neto reflete uma avaliação de que a associação direta ao bolsonarismo pode limitar o desempenho eleitoral de candidatos no Nordeste.

"Na região, o bolsonarismo não tem se mostrado como uma força política capaz de colocar um candidato com reais chances de vitória. Essa associação pode, inclusive, ser um elemento negativo por trazer um teto eleitoral prejudicial ao candidato", avaliou o pesquisador.

Na Bahia, a disputa pelo Palácio de Ondina segue equilibrada. De acordo com a mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada em abril, ACM Neto aparece com 41% das intenções de voto, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que busca a reeleição, registra 37%. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados no primeiro turno.

 
 
 

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