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Governo aposta em pragmatismo nas relações com novos governos de direita na América Latina

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende manter uma postura pragmática nas relações diplomáticas com os novos governos de direita que assumiram o comando de países da América Latina, mesmo diante das diferenças ideológicas entre as administrações.

Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a prioridade será preservar a cooperação bilateral e os interesses econômicos, especialmente nas áreas de comércio, energia e integração regional, evitando que divergências políticas comprometam o relacionamento entre os países.

A estratégia ganha relevância após a eleição de lideranças conservadoras como Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e Keiko Fujimori, no Peru. Embora o Brasil deva manter o diálogo com esses governos, integrantes do Executivo avaliam que o fortalecimento da direita no continente poderá dificultar iniciativas de integração em organismos como o Mercosul, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Caso Lula conquiste a reeleição em 2026, o Planalto avalia que a política externa voltada para a América Latina enfrentará um cenário mais desafiador, marcado por um número maior de governos alinhados à direita.

Apesar desse contexto, o governo brasileiro acredita que temas estratégicos deverão continuar na pauta comum dos países da região. Entre eles estão a cooperação nos setores de energia, gás natural e o fortalecimento das relações comerciais.

Um exemplo dessa postura ocorreu no Chile. O presidente José Antonio Kast manifestou interesse em manter o diálogo com o Brasil e solicitou uma reunião bilateral com Lula durante a próxima cúpula do Mercosul, marcada para 30 de junho, em Assunção, no Paraguai.

Os dois líderes já haviam se encontrado em janeiro deste ano, durante o Fórum Econômico Internacional, realizado no Panamá. Na ocasião, o governo brasileiro destacou, por meio de nota oficial, o compromisso com a continuidade das relações entre os dois países.

Kast também convidou Lula para participar de sua cerimônia de posse. Embora o presidente brasileiro tenha confirmado presença inicialmente, a viagem foi cancelada na véspera do evento. Em seu lugar, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou oficialmente o Brasil.

No Peru, a apuração das eleições ainda está em andamento, mas Keiko Fujimori já é considerada matematicamente eleita, consolidando o avanço de governos conservadores na região.

Com esse novo cenário, a direita passa a comandar países como Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Chile e Argentina. Já os governos identificados com a esquerda permanecem no Brasil, Uruguai, Guiana, Suriname e Venezuela.

O quadro representa uma mudança significativa em relação a 2022, quando a maior parte dos países sul-americanos era governada por lideranças de esquerda, alimentando expectativas de uma nova "onda rosa" no continente após a eleição de Lula para a Presidência da República.


 
 
 

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