Flávio Bolsonaro enfrenta obstáculos para consolidar palanques no Nordeste rumo à eleição presidencial
- Adilson Silva

- há 1 dia
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A menos de um mês do início das convenções partidárias, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, ainda enfrenta dificuldades para estruturar sua campanha no Nordeste. Em parte da região, o partido segue sem candidatos competitivos aos governos estaduais, enquanto alguns aliados evitam vincular suas campanhas à disputa nacional.

Considerado um dos principais redutos eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Nordeste foi decisivo para a vitória petista em 2022. Agora, a estratégia do PL busca ampliar espaço na região, mas encontra resistência de lideranças locais que priorizam agendas estaduais e adotam postura mais pragmática.
Nos estados de Pernambuco, Ceará, Maranhão e Alagoas, o partido ainda não consolidou candidaturas ao governo. No Ceará, as negociações para uma aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) seguem indefinidas. Embora Flávio Bolsonaro defenda o entendimento político, Ciro já sinalizou que não pretende participar de atos de campanha do senador, alegando compromisso com a candidatura presidencial de seu partido.
No Maranhão, o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), possível nome da oposição, também evita associar sua pré-campanha ao cenário nacional. Além disso, o presidente estadual do PL, deputado Josimar de Maranhãozinho, declarou apoio ao Senado a nomes alinhados ao governo Lula.
Em Pernambuco, o partido não definiu um candidato ao governo. O ex-candidato ao Executivo estadual Anderson Ferreira optou por disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto outras lideranças do PL também direcionam seus projetos para eleições proporcionais.
Em Alagoas, a legenda perdeu força após a saída do ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, para o PSDB. Atualmente, o deputado Alfredo Gaspar (PL) articula uma candidatura ao Senado ao lado do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), sem um nome do grupo para o governo estadual.
A situação também mudou em Sergipe, onde o ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, deixou o PL e migrou para o Republicanos. Com isso, o partido lançou a candidatura do vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, que não contará com o apoio da prefeita Emília Corrêa, também filiada ao Republicanos.
No Piauí, o jornalista Toni Rodrigues foi lançado como candidato ao governo pelo PL, mas os principais partidos de oposição apoiam Joel Rodrigues (PP), que ainda não oficializou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Na Bahia, o PL integra a aliança que apoia a candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao governo estadual. Apesar da parceria, o ex-prefeito de Salvador tem mantido distância da disputa presidencial e já manifestou simpatia pela pré-candidatura de Ronaldo Caiado (PSD). Em junho, por exemplo, Flávio Bolsonaro participou da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, enquanto ACM Neto visitou o município dois dias depois, sem participar da mesma agenda.
Segundo aliados de ACM Neto, a estratégia busca evitar que uma associação direta com o bolsonarismo afaste eleitores insatisfeitos com o governo estadual, mas que também não apoiam automaticamente o presidente Lula.
Os palanques considerados mais estruturados para Flávio Bolsonaro no Nordeste estão na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Na Paraíba, o senador Efraim Filho, que trocou o União Brasil pelo PL, disputa o governo estadual e faz campanha alinhada ao presidenciável. Já no Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, representa o principal nome da direita na corrida pelo Executivo estadual.
Para o cientista político Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), as dificuldades do PL na região vão além da força eleitoral do PT. Segundo ele, o comportamento das lideranças nordestinas é marcado pelo pragmatismo político e pela busca por alianças que garantam maior estabilidade institucional e eleitoral.
Na avaliação do pesquisador, embora o PT continue predominante no Nordeste, o bolsonarismo ampliou sua presença, principalmente nos grandes centros urbanos, impulsionado por pautas ligadas à segurança pública, economia e valores conservadores. Ainda assim, o cenário regional permanece heterogêneo, com dinâmicas políticas distintas entre o interior e as capitais.







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