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Moraes determina busca e apreensão contra blogueiro do Maranhão por publicações sobre Flávio Dino

A Polícia Federal do Brasil cumpriu mandados de busca e apreensão contra o blogueiro maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A operação ocorreu na terça-feira (10) e resultou na apreensão de celulares e computadores utilizados pelo responsável pelo Blog do Luís Pablo. A medida foi tomada no âmbito de um inquérito aberto após publicações sobre o uso de um veículo funcional pelo ministro Flávio Dino.

Segundo reportagens divulgadas inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela imprensa, o blogueiro publicou, em novembro do ano passado, um texto afirmando que um carro pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão estaria sendo utilizado por Dino e familiares em deslocamentos privados no estado.

O caso passou a ser investigado após representação apresentada pelo próprio ministro, sendo posteriormente distribuído a Moraes por conexão com o chamado Inquérito das Fake News, que apura ataques e desinformação direcionados à Corte.

Suspeita de perseguição

Na decisão, que tramita sob sigilo, Moraes afirmou que a Polícia Federal identificou indícios de que o blogueiro poderia ter cometido crime de perseguição, além de possível uso de mecanismos estatais para identificar veículos utilizados por autoridades.

De acordo com a investigação, uma publicação feita em 26 de novembro de 2025 teria divulgado imagens do veículo citado, o que, segundo os investigadores, indicaria monitoramento e acompanhamento do automóvel, além de eventual acesso a informações restritas.

O ministro também determinou que a Polícia Federal colha o depoimento de Luís Pablo e de outras pessoas que possam ter colaborado ou sido incentivadas a participar das supostas irregularidades. O material eletrônico apreendido será analisado no decorrer da investigação.

Reação e manifestação da OAB

Procurado, o blogueiro informou que teve equipamentos de trabalho apreendidos, incluindo computador e celulares utilizados em sua atividade jornalística. Ele afirmou ainda que aguarda acesso integral aos autos do processo, que corre em sigilo, para entender os fundamentos da decisão judicial.

A Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão também se manifestou sobre o caso. Em nota, a entidade declarou preocupação institucional com a medida e destacou a importância da preservação do sigilo de fonte e da proteção ao livre exercício da atividade jornalística.

Segundo a entidade, conforme entendimento já consolidado pelo próprio STF, medidas de busca e apreensão devem ser adotadas com cautela e restritas ao que for necessário para o andamento da investigação.

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