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Mercado reage com cautela ao novo plano de investimentos da Petrobras

O anúncio do novo plano de investimentos da Petrobras, divulgado na quinta-feira (27), gerou preocupação entre analistas e resultou em queda nas ações da estatal nesta sexta-feira (28). Embora a companhia afirme que ajustou sua estratégia ao cenário de preços mais baixos do petróleo, o mercado vê fragilidades nos primeiros anos de execução.


Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Aruivo
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Aruivo

Investimentos menores e menos flexibilidade

O plano aprovado prevê investimentos de US$ 109 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) para os próximos cinco anos — um recuo discreto de 1,8% na comparação com o ciclo anterior. No entanto, a carteira de projetos firmes encolheu 7%, o que gerou alerta entre investidores.

Segundo analistas, esse enxugamento reduz a margem de manobra da Petrobras para cortar gastos caso o preço do petróleo caia mais do que o projetado, o que pode pressionar dividendos.

A analista Monique Greco, do Itaú BBA, resumiu o sentimento de incerteza: "O horizonte parece favorável, mas o abrigo parece frágil em caso de tempestade." No fim da tarde, os papéis ordinários recuavam cerca de 2%.

Premissas consideradas ousadas

Corretoras também questionam as projeções usadas no plano. A Ativa destacou que as estimativas de preço do barril do tipo Brent e do câmbio são “ambiciosas” e podem levar a frustrações.

A Petrobras trabalha com o Brent a US$ 63 em 2026 e US$ 70 nos anos seguintes. Parte do mercado, porém, já cogita um cenário de petróleo a US$ 50 no próximo ano, impulsionado pelo aumento da oferta global sem crescimento correspondente da demanda.

A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que o plano está estruturado para resistir a um ambiente de preços mais baixos. Segundo ela, a prioridade agora é direcionar recursos para projetos mais estratégicos.

Projetos poderão ser adiados

A carteira total de projetos em implantação passou a US$ 91 bilhões, mas a gestão considera apenas US$ 81 bilhões como plenamente sustentáveis no cenário atual — classificados como “carteira de implantação base”.

O diretor financeiro, Fernando Melgarejo, explicou que os US$ 10 bilhões restantes, apesar de aprovados, têm menor margem e precisam competir por recursos. Caso o Brent fique abaixo do esperado, esses projetos podem ser adiados e só retornarão ao cronograma quando houver folga financeira. A revisão será trimestral.

Entre os projetos que podem disputar espaço no orçamento está uma nova plataforma para revitalizar os campos de Marlim Sul e Marlim Leste, na bacia de Campos.

Articulação política

Magda informou ainda ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes da aprovação do plano. Segundo ela, Lula tem demonstrado satisfação com a condução da gestão e dialogou sobre encomendas de navios previstas para o Rio Grande do Sul.

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