Governo Trump vê PCC e Comando Vermelho como ameaças, mas não confirma classificação como terroristas
- Adilson Silva

- há 2 horas
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O governo do presidente Donald Trump considera que as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) representam uma ameaça significativa à segurança regional devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e atividades do crime transnacional.

A avaliação foi feita por um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores. Apesar disso, o governo americano não confirmou se pretende classificar oficialmente os grupos como organizações terroristas.
A possibilidade ganhou repercussão após reportagem do UOL afirmar que Washington já teria tomado a decisão de enquadrar as facções como terroristas. Em nota enviada ao jornal Folha de S.Paulo, o Departamento de Estado afirmou que não comenta antecipadamente possíveis designações desse tipo, mas reforçou que está comprometido em adotar medidas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas.
Governo brasileiro tenta evitar classificação
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para evitar que as facções brasileiras recebam essa classificação pelos Estados Unidos. Segundo autoridades ouvidas pela reportagem, representantes do governo americano estiveram no Brasil no ano passado para coletar informações sobre o funcionamento dos grupos criminosos.
Durante os encontros, os americanos teriam buscado dados sobre a atuação internacional das facções, mas não abriram espaço para que autoridades brasileiras apresentassem sua interpretação sobre o conceito de terrorismo.
De acordo com investigações do Ministério Público de São Paulo, o PCC possui presença em pelo menos 28 países. Apesar disso, especialistas apontam que o principal destino do tráfico de drogas ligado às facções brasileiras é a Europa, e não os Estados Unidos.
Presença nos EUA é limitada
Nos Estados Unidos, integrantes das facções são associados principalmente a atividades de lavagem de dinheiro, embora existam registros de tráfico de drogas. Os estados da Flórida e Massachusetts concentram o maior número de suspeitos ligados aos grupos, regiões que também possuem grandes comunidades de brasileiros.
Nas últimas semanas, Lula afirmou que pretende visitar Trump em Washington para discutir temas bilaterais, incluindo o combate ao crime organizado. Ainda não há data confirmada para o encontro.
Impacto prático seria limitado
Para o especialista em crime transnacional Douglas Farah, a eventual classificação das facções como organizações terroristas teria impacto prático limitado. Segundo ele, a medida ampliaria ferramentas legais e de inteligência para monitoramento financeiro e rastreamento de integrantes, mas dificilmente afetaria diretamente as estruturas das organizações.
Farah também alerta para o risco de banalização do conceito de terrorismo. Na avaliação dele, grupos como PCC e CV se encaixam mais claramente na lógica do crime organizado, já que utilizam violência para controlar mercados ilegais, e não para atingir objetivos políticos ou atacar diretamente os Estados Unidos, como ocorreu com a Al-Qaeda nos atentados de 11 de setembro de 2001.
O especialista acrescenta que uma eventual designação não permitiria automaticamente operações americanas em território brasileiro. Qualquer ação dependeria da autorização do governo do Brasil, algo considerado improvável no atual cenário diplomático.







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