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Mansão do lobby: Fictor é investigada por articulações políticas, tentativa de acesso a recursos de Itaipu e fabricação de dossiê na CPMI do INSS

Empresa sob investigação da Polícia Federal teria usado imóvel de alto padrão em Brasília para aproximação com integrantes do governo Lula e para articular depoimento falso contra testemunha da CPMI

Foto: Reprodução/X
Foto: Reprodução/X

Uma mansão localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília, tornou-se peça central das investigações que envolvem a empresa de investimentos Fictor, atualmente sob apuração da Polícia Federal e acumulando dívidas estimadas em R$ 4 bilhões. O imóvel, alugado por um ex-sócio da companhia, teria sido utilizado como espaço para encontros com autoridades do governo federal e para a articulação de um dossiê fraudulento contra uma testemunha da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no INSS.

Até pouco tempo, a Fictor era pouco conhecida no mercado financeiro, ganhando alguma visibilidade apenas após patrocinar o Palmeiras. O nome da empresa, no entanto, passou a frequentar o noticiário nacional em novembro de 2025, quando anunciou um consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos para a compra do Banco Master. O negócio não se concretizou: no dia seguinte, o banco foi liquidado, seu controlador, Daniel Vorcaro, acabou preso e as autoridades passaram a investigar também a atuação da Fictor.

Aproximação com o poder

Antes do colapso do negócio com o Master, a empresa vinha buscando aproximação com agentes políticos em Brasília. Um dos principais articuladores dessas agendas seria o consultor Felipe Alcântara, que atuava junto à Fictor e frequentava a mansão alugada no Lago Sul.

Segundo apuração, Alcântara promoveu encontros no local com parlamentares e integrantes do governo. Em um desses episódios, o imóvel foi usado para um evento político que contou com a presença do então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, da então presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e do diretor-geral de Itaipu, Ênio Verri. A pauta, oficialmente, não teria avançado, mas o encontro passou a ser questionado após o avanço das investigações.

Tentativa de acesso a recursos de Itaipu

Além das articulações políticas, a Fictor também teria tentado se aproximar da Usina Hidrelétrica de Itaipu com o objetivo de gerir parte dos recursos financeiros da binacional. A proposta, segundo relatos, envolvia a administração de até R$ 1 bilhão, mas não prosperou devido a impedimentos legais, já que a legislação restringe esse tipo de aplicação a bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

O consultor Felipe Alcântara afirmou que houve troca de e-mails e reuniões técnicas sobre o tema, mas que o projeto acabou sendo descartado.

A mansão e seus bastidores

O imóvel em questão possui cerca de 500 metros quadrados e foi alugado pelo ex-sócio da Fictor, Luiz Phillippi Rubini, até dezembro de 2025. A residência era utilizada pela empresa, com elementos visuais associados à marca, incluindo o portão pintado de verde e até o nome da rede de internet, identificado como “Piscina Fictor”.

Rubini, que hoje figura como credor da empresa em contratos de mútuo que somam R$ 35 milhões, afirma ter deixado a Fictor ainda em 2024 e nega qualquer envolvimento com as articulações investigadas.

Fabricação de dossiê na CPMI do INSS

Um dos episódios mais graves ligados ao uso da mansão envolve a CPMI do INSS. De acordo com relatos, o imóvel foi palco de reuniões para a construção de um dossiê contra o advogado Eli Cohen, que havia denunciado fraudes envolvendo associações ligadas a um empresário preso na Operação Sem Desconto.

Cohen, que também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante seu depoimento, passou a ser alvo de ataques por parlamentares governistas, que questionaram sua credibilidade e pediram nova convocação à comissão.

Nesse contexto, Alcântara teria intermediado um encontro entre o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), então líder do PT na CPMI, e o ex-policial civil Rogério Giglio. Giglio havia gravado, sem autorização, conversas com Cohen e produzido vídeos acusando o advogado de suposta tentativa de extorsão — versões que, posteriormente, ele próprio desmentiu.

Retratação e acusações

Em entrevista, Giglio afirmou que foi contratado para produzir material falso contra Cohen e que teria recebido promessa de remuneração mensal para sustentar a narrativa. Segundo ele, as declarações prestadas em cartório e divulgadas à imprensa foram fabricadas sob encomenda.

O deputado Paulo Pimenta confirmou participação na reunião, mas afirmou desconhecer qualquer vínculo do imóvel com a Fictor e disse que, à época, manifestou desconfiança quanto à fragilidade das provas apresentadas. Segundo o parlamentar, apenas um depoimento formal à Polícia Federal teria validade jurídica.

As versões são contestadas por advogados citados no caso, que negam a existência de contratos ou ofertas de emprego relacionadas à produção de dossiês ou à atuação política.

Reações e posicionamentos

Procurados, integrantes do governo e do PT afirmaram que não receberam propostas formais da Fictor. Gleisi Hoffmann declarou que participou de um encontro, mas que não houve discussão de interesses do grupo. Alexandre Padilha afirmou que jamais tratou do tema em reuniões ou eventos. O diretor-geral de Itaipu preferiu não se manifestar.

Já Eli Cohen classificou as revelações como extremamente graves, apontando possíveis crimes como fabricação de provas, coação de testemunhas, obstrução da Justiça e uso político de estruturas privadas. Para ele, os fatos exigem apuração rigorosa e responsabilização dos envolvidos.

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