Lula reage a críticas e diz que não vai “baixar a cabeça” para os Estados Unidos
- Adilson Silva

- 10 de out.
- 3 min de leitura
Durante cerimônia realizada nesta quinta-feira (9), em Maragogipe (BA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas aos que, segundo ele, torcem contra o país em disputas diplomáticas. Em tom firme, Lula afirmou que “não vai rastejar diante de nenhum governo estrangeiro” e chamou de “vira-latas” os que defendem submissão ao presidente norte-americano Donald Trump.

“Quando o presidente Trump resolveu gritar com o Brasil, os vira-latas deste país queriam que eu rastejasse atrás do governo americano. Eu aprendi com uma mãe analfabeta: não baixe a cabeça nunca. Se um pobre baixa a cabeça, eles colocam uma cangalha, e você nunca mais consegue levantá-la”, declarou Lula, sob aplausos.
Retomada da indústria naval na Bahia
O discurso ocorreu durante o evento que marcou a retomada da indústria naval baiana, com o anúncio de R$ 2,6 bilhões em investimentos da Petrobras para a construção de seis navios no Estaleiro Enseada, em Maragogipe.O empreendimento deve gerar cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos e simboliza, segundo o presidente, “o renascimento de um setor destruído por interesses políticos e pela Operação Lava Jato”.
Lula destacou que a reconstrução da indústria naval faz parte do projeto de desenvolvimento nacional, ao lado da reabertura das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (FAFEN) na Bahia e em Sergipe, que juntas devem atender cerca de 20% da demanda brasileira por fertilizantes.
Relação com Trump e diálogo diplomático
Lula também comentou sobre a ligação telefônica feita por Donald Trump no início da semana, vista como um gesto de reaproximação entre os dois países.De forma descontraída, o presidente contou detalhes da conversa:
“O presidente Trump, que parecia o inimigo número um, me ligou e disse: ‘Lulinha, pintou uma química entre nós. Vamos conversar, vamos discutir’. E é bom que pinte uma química mesmo, porque eu sei gostar de gente”, brincou.
Apesar do tom leve, Lula reforçou que o Brasil manterá uma posição de igualdade nas negociações internacionais:
“Ninguém respeita quem não se respeita”, afirmou.
Avanço diplomático com Washington
Enquanto Lula falava na Bahia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversava por telefone com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.Foi o primeiro contato oficial entre os dois governos desde que Trump reassumiu o comando da diplomacia norte-americana.Segundo fontes do Itamaraty, o diálogo durou cerca de 15 minutos e resultou em um convite para uma reunião em Washington, ainda sem data definida.
Críticas à Lava Jato e homenagem a Gabrielli
Em um dos momentos mais emotivos do evento, Lula fez questão de defender o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que comandou a estatal entre 2005 e 2012.Chamando-o ao palco, Lula afirmou:
“Esse companheiro foi o mais extraordinário presidente da Petrobras de todos os tempos. Boto a mão no fogo por ele. Jamais desviou um centavo da Petrobras em benefício próprio.”
O petista voltou a responsabilizar a Operação Lava Jato pela crise da indústria naval e pelos impactos econômicos causados na região do Recôncavo Baiano.
Encerramento em clima de festa
O evento terminou com clima de celebração. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, animou o público tocando o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói, escola que contará a história de Lula no Carnaval do Rio de Janeiro em 2026.Em tom bem-humorado, o presidente encerrou dizendo:
“Nos encontramos no Carnaval do Rio! Até lá, o Brasil vai estar de cabeça erguida e com o estaleiro cheio de trabalhadores de novo.”
Contexto político e econômico
A retomada dos investimentos na indústria naval e nas fábricas de fertilizantes simboliza uma estratégia de reindustrialização do governo federal, que busca gerar empregos e fortalecer a soberania nacional.Ao mesmo tempo, Lula aproveita o discurso de enfrentamento externo para reafirmar sua postura independente diante das pressões internacionais e fortalecer sua base política no Nordeste.







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