Lula inicia articulação eleitoral com militância mobilizada e discurso contra privilégios
- Adilson Silva

- há 10 horas
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve usar a celebração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores, neste sábado (7), em Salvador, como marco inicial da articulação política para a disputa eleitoral. No evento, Lula deve reafirmar sua intenção de buscar a reeleição e apresentar os principais eixos que devem nortear a campanha.

A estratégia envolve mobilizar a militância, reforçar a identidade ideológica do partido e destacar bandeiras históricas, como o combate às desigualdades sociais e aos privilégios. A expectativa é de um discurso voltado para a polarização com a direita, especialmente o campo bolsonarista, retomando a narrativa de que o PT nasceu como força antissistema.
Diferentemente do pleito de 2022, quando o foco esteve na rejeição ao então presidente Jair Bolsonaro, a avaliação interna é que a próxima eleição funcionará como um referendo sobre os quatro anos do atual governo. Com isso, o partido pretende defender o legado das gestões petistas e apresentar programas recentes como marcas da administração Lula, a exemplo do Pé-de-Meia, Gás do Povo, Desenrola e a flexibilização das regras da Carteira Nacional de Habilitação.
Entre as pautas que devem ganhar destaque estão propostas como o fim da escala 6x1, a tarifa zero no transporte público e a taxação dos super-ricos. A leitura no PT é que grupos específicos do eleitorado — trabalhadores em situação precária, jovens, pequenos empreendedores e eleitores indecisos — serão decisivos no resultado das urnas.
Em encontros com militantes e dirigentes partidários realizados em Salvador, o marqueteiro Otávio Antunes defendeu que a campanha vá além da apresentação de números da gestão. Segundo ele, será necessário reforçar o embate político e ideológico, contrapondo o discurso petista à narrativa da direita, apontada como defensora de interesses das elites.
Essa linha foi incorporada à resolução política aprovada pelo Diretório Nacional do PT após o encontro, que define o partido como comprometido com o enfrentamento a um sistema que concentra renda, perpetua desigualdades e tolera crimes financeiros.
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que a legenda pretende deixar de lado uma postura excessivamente governista para apostar em temas capazes de dialogar com o imaginário popular. Segundo ele, a campanha deve enfatizar o combate aos privilégios e a responsabilização de grupos historicamente protegidos.
A crise envolvendo o Banco Master também entrou no radar da estratégia petista. A direção do partido discute uma linha de comunicação para reforçar que o governo defende as investigações e que a liquidação da instituição ocorreu sob a atual gestão. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, chegou a defender publicamente a instalação de uma CPI para apurar o caso.
Lula chegou a Salvador na sexta-feira (6) para cumprir compromissos institucionais e visitar o Santuário de Santa Dulce dos Pobres. No sábado, participa da festa de aniversário do partido, que acontece no Trapiche Barnabé e será encerrada com apresentação do Cortejo Afro.
Embora aliados evitem classificar o evento como lançamento oficial de pré-campanha, a escolha da Bahia tem peso simbólico e eleitoral. O estado foi um dos principais pilares da vitória de Lula em 2022, com ampla vantagem sobre Bolsonaro, e marca o início da mobilização do PT no Nordeste.
Apesar disso, o partido reconhece desafios na região, como desgastes em governos estaduais, crises em bases aliadas e o avanço da pauta da segurança pública como fator central do debate político. Internamente, há o entendimento de que o chamado “voto de gratidão” pode não ser suficiente para garantir uma vitória confortável.
Para dirigentes e estrategistas do PT, a eleição exigirá organização política, mobilização permanente e enfrentamento direto das disputas ideológicas que devem marcar o cenário eleitoral nos próximos meses.







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