Lula afirma que busca um nome técnico e preparado para o STF: “Não quero amigo, quero alguém gabaritado”
- Adilson Silva

- 13 de out.
- 3 min de leitura
Presidente reforça compromisso com critérios técnicos na escolha do substituto de Barroso no Supremo
Durante viagem oficial à Itália nesta segunda-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que sua próxima indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) será baseada em competência e preparo técnico, e não em relações pessoais. A fala ocorre após o anúncio da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, que deixará vaga aberta na mais alta corte do país.

Questionado por jornalistas sobre o perfil ideal do futuro ministro ou ministra, Lula foi enfático ao afirmar que a prioridade é encontrar alguém que cumpra com rigor a Constituição.
“Quero uma pessoa, seja homem ou mulher, negra ou branca, que seja acima de tudo gabaritada para exercer o cargo de ministro da Suprema Corte. Não quero um amigo, quero alguém comprometido com a Constituição brasileira”, declarou o presidente.
“Função é cumprir a Constituição”, diz Lula
O chefe do Executivo ressaltou que sua escolha seguirá os mesmos critérios adotados nas indicações anteriores, como as dos ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino.
“Com todos os ministros e ministras que indiquei até agora foi assim, e continuará sendo. O compromisso é com a Constituição e com o país”, destacou.
Durante sua passagem por Roma, Lula participou de uma reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global de Combate à Fome e à Pobreza, onde discutiu políticas de inclusão social e desenvolvimento sustentável. Ele deve retornar ao Brasil ainda nesta segunda-feira e informou que, nos próximos dias, conversará com integrantes do governo antes de tomar uma decisão definitiva sobre o nome a ser indicado.
Jorge Messias desponta como favorito
Entre os nomes mais cotados está o do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, considerado favorito nos bastidores pela boa relação com o presidente e pela atuação técnica à frente da pasta.
Nas indicações anteriores, Lula deu preferência a perfis que combinam lealdade institucional e experiência jurídica. Cristiano Zanin, seu ex-advogado, e Flávio Dino, ex-ministro da Justiça, foram escolhidos com base nesses critérios.
Apoio político pode pesar na escolha
Caso Lula opte por atender a demandas políticas, o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), surge como possível indicado. Pacheco conta com apoio significativo entre os senadores e também é bem visto por ministros influentes do STF, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
Outro nome lembrado é o de Bruno Dantas, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), que, embora respeitado nos meios jurídicos, não é considerado um dos principais favoritos.
A despedida de Barroso e o debate sobre representatividade
O ministro Luís Roberto Barroso anunciou sua aposentadoria ao final da sessão plenária de quinta-feira (9), encerrando uma trajetória de mais de 12 anos na Suprema Corte. Em um discurso emocionado, afirmou que deseja ter mais tempo para a vida pessoal:
“Sinto que chegou o momento de seguir outros caminhos. Não tenho apego ao poder e quero aproveitar mais o tempo que me resta sem a exposição e as obrigações do cargo”, disse Barroso.
O magistrado também destacou a importância de ampliar a presença feminina no Supremo, lembrando que, desde a saída de Rosa Weber, apenas Cármen Lúcia permanece na Corte. Apesar disso, a possibilidade de Lula escolher uma mulher para a vaga é considerada pequena nos bastidores políticos.
Próximos passos
Com o retorno de Lula ao Brasil, as conversas internas devem se intensificar para que a indicação seja anunciada ainda nas próximas semanas. A expectativa é que o presidente mantenha o discurso de valorização técnica e equilíbrio institucional, buscando um nome que fortaleça a imagem de independência e compromisso com o Estado de Direito dentro do STF.







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