Lula afirma em pronunciamento que nova faixa de isenção do IR pode movimentar R$ 28 bilhões e reduzir privilégios da elite
- Adilson Silva

- 12 de dez. de 2025
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Em discurso transmitido em rede nacional de rádio e televisão neste domingo (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou que a ampliação da isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil deverá injetar aproximadamente R$ 28 bilhões na economia.

Segundo ele, a mudança corrige um “privilégio histórico” que favorecia uma parcela pequena e mais rica da população.
Logo no início do pronunciamento, Lula afirmou que o país viveu “uma mudança significativa” com a aprovação das novas regras. “Mais de um século depois da criação do Imposto de Renda, diminuímos benefícios injustos de uma minoria financeira para garantir ganhos à maior parte dos brasileiros”, declarou.
A medida, sancionada no dia 26, cumpre promessa de campanha do presidente e torna-se peça estratégica para o governo às vésperas das eleições de 2026. Além da isenção para rendas de até R$ 5 mil, o pacote inclui redução de imposto para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais.
‘Quase um 14º salário’, diz Lula
Durante o discurso de seis minutos, o presidente comparou o impacto da isenção a um pagamento extra anual. Ele mencionou que o valor economizado poderá ser usado para quitar dívidas, planejar viagens ou até comprar uma nova televisão para acompanhar a Copa do Mundo de 2026.
“Esse alívio no imposto se transforma em mais renda disponível, o que amplia o consumo e ajuda a girar a economia”, ressaltou. A Receita Federal estima que a medida terá reflexos relevantes em diferentes setores no próximo ano.
Lula citou que um trabalhador que recebe R$ 4.800 poderá economizar cerca de R$ 4 mil por ano, o equivalente, segundo ele, a “quase um 14º salário”.
Compensação virá da taxação dos super-ricos
O presidente reafirmou que a renúncia fiscal não será coberta com cortes em áreas essenciais, como saúde e educação. A estratégia de compensação, segundo ele, será baseada na cobrança de um imposto mínimo sobre grandes fortunas — o grupo que chamou de “super-ricos”.
O Ministério da Fazenda calcula que 15 milhões de contribuintes deixarão de pagar IR com a nova faixa. Já o aumento da tributação deve atingir cerca de 140 mil pessoas com renda anual acima de R$ 600 mil — pouco mais de R$ 50 mil por mês.
“Estamos falando de apenas 0,1% da população, pessoas que recebem de 10 a 100 vezes mais do que a imensa maioria dos brasileiros. Esse grupo passará a contribuir com até 10% de imposto para ajudar a aliviar quem realmente move o país”, declarou Lula.
Ele voltou a dizer que a elite brasileira acumulou privilégios por séculos, e que entre eles estava o fato de pagar proporcionalmente menos Imposto de Renda que trabalhadores e profissionais da classe média.
Aprovação no Congresso e aposta política
A proposta passou na Câmara em outubro, com apoio unânime dos deputados presentes — apenas 18 não registraram voto, entre eles Eduardo Bolsonaro (PL), que estava nos Estados Unidos. O Senado também aprovou o texto sem divergências.
O governo já destinou ao menos R$ 40 milhões para produzir campanhas de divulgação da medida. A cerimônia de sanção, no entanto, não contou com a presença dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em meio à escalada de tensões entre o Executivo e o Legislativo.
Atualmente, a regra efetiva de isenção chega a R$ 3.036 por mês devido ao desconto simplificado. A ampliação para R$ 5 mil deve custar cerca de R$ 31,2 bilhões em 2026, segundo o relator do projeto, deputado Arthur Lira (PP-AL).
Impacto no bolso do trabalhador
De acordo com simulação desenvolvida pela Folha de S.Paulo em parceria com a Contabilizei, quem recebe R$ 5 mil sem dependentes deixará de pagar R$ 312,89 por mês, o que representa uma economia anual de R$ 3.754,68, sem incluir o 13º.
O planejador financeiro Antônio Maciel destaca que o alívio no imposto cria oportunidade para que trabalhadores organizem suas finanças, formem reserva de emergência, quitem dívidas ou iniciem aplicações.
Perspectivas do governo
No encerramento do pronunciamento, Lula também mencionou queda da inflação, recuo no desemprego e programas sociais como o Pé-de-Meia. Para ele, a mudança no IR é um passo importante, mas não final: “Seguimos sendo um país desigual. Essa reforma é decisiva, mas é apenas o começo”.







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