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Lewandowski comprou imóvel de investigado pela PF antes de bloqueio judicial, diz reportagem

O ex-ministro da Justiça e aposentado do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, adquiriu em 2024 um imóvel avaliado em R$ 9,4 milhões que pertencia a Alan de Souza Yang, conhecido como “China”, empresário investigado pela Polícia Federal por suspeitas de sonegação bilionária no setor de combustíveis. A compra ocorreu antes de a Justiça Federal determinar o bloqueio do bem.


Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

A negociação foi realizada por meio de uma empresa patrimonial da família Lewandowski, administrada em sociedade com seus filhos, pouco tempo após ele assumir o comando do Ministério da Justiça. Meses antes da venda ao ex-ministro, o imóvel havia sido transferido para a esposa de China por R$ 4 milhões. Posteriormente, a residência acabou sendo alvo de restrição judicial, o que impede sua comercialização e permite eventual leilão em caso de condenação dos investigados.

À época da compra, China já era alvo de investigações da Polícia Federal, tinha condenação por adulteração de combustíveis e figurava em apurações sobre sonegação em postos. No ano seguinte, ele passaria a ser citado na Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro com supostas ligações ao crime organizado. A operação foi deflagrada durante a gestão do próprio Lewandowski no Ministério da Justiça.

Em entrevista ao Estadão, Lewandowski afirmou que a aquisição foi feita de boa-fé, alegando que não conhecia os vendedores nem tinha informações sobre as investigações, que, segundo ele, corriam sob sigilo. O ex-ministro sustenta que nunca conseguiu exercer plenamente a posse do imóvel e que vem cobrando judicialmente a regularização da situação ou, em último caso, a devolução do valor pago.

Ele também explicou que decidiu mudar de residência por questões de segurança, optando por um imóvel em condomínio fechado após deixar uma casa localizada em via pública. Segundo Lewandowski, o imóvel foi apresentado por um corretor e toda a documentação exigida foi apresentada no momento da compra, incluindo certidões negativas e registros cartoriais.

Registros imobiliários indicam que a casa possui 777 metros quadrados, está localizada em um condomínio fechado na zona sul de São Paulo e passou por sucessivos bloqueios judiciais ao longo dos anos, em razão de dívidas e investigações envolvendo antigos proprietários. O imóvel foi adquirido em leilão em 2019 pelo pai de China e, anos depois, transferido para a nora, apontada pela Polícia Federal como possível interposta em negócios do marido.

Investigações mostram que, embora China declarasse rendimentos modestos, movimentações milionárias passavam pelas contas bancárias de sua esposa, ligada a dezenas de empresas. A Polícia Federal e o Ministério Público apontam que ele teria atuação relevante em esquemas de fraude, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, com conexões com empresários investigados e organizações criminosas.

Procurada, a defesa de Alan de Souza Yang e de seus familiares não se manifestou.

Em nota, Lewandowski reforçou que a transação foi legal, registrada sem impedimentos e devidamente declarada à Receita Federal. Disse ainda que, ao tomar conhecimento do sequestro judicial do imóvel, passou a exigir a regularização por parte da vendedora, invocando sua condição de terceiro de boa-fé.

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