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Laudo médico não atende expectativa de aliados de Bolsonaro, mas defesa mantém pedido de prisão domiciliar

A perícia médica realizada pela Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) possui condições de permanecer detido na unidade da Papudinha, em Brasília, desde que receba acompanhamento médico contínuo e cuidados específicos.

Foto: Agência Brasil/Arquivo
Foto: Agência Brasil/Arquivo

O resultado do laudo, porém, frustrou aliados e a equipe jurídica do ex-mandatário, que apostavam no parecer como principal argumento para viabilizar a concessão da prisão domiciliar.

Mesmo diante da conclusão técnica, a defesa informou que irá insistir junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) no pedido para que Bolsonaro cumpra a pena em casa. Os advogados sustentam que o quadro de saúde do ex-presidente é delicado e envolve riscos que podem ser agravados pelo ambiente carcerário.

Entre aliados, a avaliação é de que o documento reconhece problemas clínicos relevantes, mas aponta que eles podem ser administrados dentro da estrutura da unidade prisional, o que reduz as chances de mudança imediata no regime de custódia. A perícia não analisou a hipótese de prisão domiciliar, já que essa possibilidade não foi incluída nos questionamentos autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.

Os médicos descartaram apenas a necessidade de transferência para um hospital penitenciário, afirmando que o acompanhamento pode ser realizado na própria Papudinha. O laudo aponta risco de quedas, necessidade de monitoramento diário, controle rigoroso da pressão arterial e acesso rápido a atendimento médico.

Em nota, a defesa destacou que a avaliação ainda não está concluída, uma vez que falta o parecer de um médico assistente indicado no processo. Segundo os advogados, o próprio laudo reconhece que a ausência das medidas recomendadas pode levar a uma descompensação clínica súbita, com risco grave à vida do ex-presidente.

Aliados próximos argumentam que o estado de saúde de Bolsonaro seria mais frágil do que o descrito oficialmente e que existe tendência de piora. Na avaliação desses interlocutores, um eventual agravamento do quadro ou um episódio grave dentro da prisão poderia gerar forte desgaste institucional para o Supremo.

Apesar do resultado abaixo do esperado, integrantes do entorno do ex-presidente não descartam que Moraes possa, ainda assim, autorizar a prisão domiciliar, a depender da interpretação do ministro sobre sua responsabilidade diante de um possível incidente de saúde.

Após a divulgação do laudo, os filhos Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro usaram as redes sociais para defender publicamente a concessão do benefício ao pai. Eduardo compartilhou uma publicação afirmando que manter Bolsonaro preso nas atuais condições seria desumano e incompatível com seu estado clínico.

Em janeiro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou a questionar diretamente Moraes sobre a possibilidade de conceder a Bolsonaro o mesmo tratamento dado ao ex-presidente Fernando Collor, que obteve prisão domiciliar por razões humanitárias. À época, Moraes respondeu que Collor apresentava diagnóstico de Parkinson e risco elevado de quedas — condição que agora também aparece no laudo referente a Bolsonaro.

O ex-presidente sofreu uma queda no início de janeiro, quando ainda estava detido na superintendência da Polícia Federal em Brasília, episódio que motivou sua transferência para uma cela mais ampla na Papudinha. Desde então, sua situação de saúde segue sendo acompanhada por determinação judicial.


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