top of page

Kassio propõe selo para pesquisas eleitorais e iniciativa recebe críticas de especialistas

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou nesta terça-feira (14) uma proposta para criar um "selo de acurácia eleitoral", destinado a reconhecer institutos de pesquisa cujos levantamentos apresentem maior proximidade com os resultados oficiais das eleições.

A proposta foi apresentada durante reunião com representantes de 16 institutos de pesquisa. Segundo o ministro, o texto ainda está em fase de discussão, e as empresas terão até a próxima sexta-feira (17) para encaminhar sugestões antes da elaboração da versão definitiva.

De acordo com a minuta, o selo teria como finalidade incentivar o aperfeiçoamento das metodologias utilizadas pelos institutos, ampliar a transparência das pesquisas e destacar as empresas com melhor desempenho na comparação entre seus levantamentos e os resultados das urnas.

O reconhecimento seria concedido em duas categorias: pesquisas de boca de urna e levantamentos realizados nos sete dias anteriores ao pleito. Os critérios técnicos para a avaliação ainda deverão ser definidos em regulamento específico.

Durante o encontro, Kassio afirmou que a proposta busca valorizar a qualidade técnica das pesquisas eleitorais e estimular investimentos em metodologias cada vez mais precisas, sem interferir na autonomia das empresas responsáveis pelos levantamentos.

A iniciativa, entretanto, recebeu críticas de representantes do setor e de especialistas em pesquisas eleitorais.

A diretora do Datafolha, Luciana Chong, afirmou que a proposta parte de um pressuposto equivocado ao tratar pesquisas como instrumentos de previsão do resultado eleitoral. Segundo ela, a função desses levantamentos é registrar a intenção de voto existente no momento em que são realizados, utilizando métodos estatísticos reconhecidos.

Em nota, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) também contestou a proposta. A entidade argumentou que pesquisas eleitorais representam um retrato do cenário no momento da coleta dos dados e não podem ser tratadas como previsões. Para a associação, exigir que os institutos "acerteem" o resultado das urnas distorce o objetivo científico das pesquisas e pode gerar incentivos inadequados ao mercado.

O cientista político Antonio Lavareda também criticou a iniciativa, afirmando que pesquisas medem o comportamento do eleitor em determinado momento, enquanto o voto pode sofrer alterações até o dia da eleição. Na avaliação dele, transformar a Justiça Eleitoral em responsável por certificar a precisão dos institutos seria uma medida incomum e sem precedentes.

O professor Bruno Bolognesi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), fez avaliação semelhante. Segundo ele, fatores como abstenção, condições climáticas e acontecimentos de última hora podem alterar o resultado das eleições, tornando inadequada a comparação direta entre pesquisas e o resultado final para fins de certificação.

Nos bastidores do Judiciário, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a reportagem, também demonstraram reservas à proposta. Entre os pontos levantados está o fato de diferentes institutos utilizarem metodologias distintas, o que dificultaria uma comparação uniforme para concessão do selo.

A discussão ocorre em meio ao debate sobre a regulamentação das pesquisas eleitorais, intensificado após decisões do TSE envolvendo a divulgação de levantamentos durante o período pré-eleitoral. O tema deverá continuar em discussão na Corte nos próximos meses.

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
BANNER-300x600px-DESCARTE-DE-LIXO---PMS.gif

© 2023 por Amaury Aquino e Design Digital

bottom of page