João Campos defende a Lula manutenção de Alckmin e do PSB na vice-presidência
- Adilson Silva

- há 22 horas
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Presidente avalia ampliar aliança para 2026 e cogita oferecer vaga ao MDB como estratégia eleitoral
O presidente nacional do PSB e prefeito do Recife, João Campos, manifestou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o interesse do partido em manter Geraldo Alckmin como vice-presidente na chapa presidencial que disputará a eleição de outubro.

A declaração ocorre em meio a articulações do Planalto para ampliar a base aliada, com o MDB surgindo como possível novo parceiro na coligação.
Após reunião com Lula no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (10), João Campos afirmou a jornalistas que a permanência do PSB na vice-presidência é considerada prioridade pela legenda. Segundo ele, a avaliação foi apresentada diretamente ao presidente da República.
Campos destacou ainda a relação entre Lula e Alckmin, classificando-a como sólida e madura. Para o dirigente socialista, não há necessidade de intermediários na conversa entre presidente e vice, já que ambos possuem diálogo direto e histórico de confiança política.
Aliança construída contra Bolsonaro
Lula e Alckmin foram adversários durante décadas, mas se aproximaram politicamente a partir de 2021, em um movimento que visava a formação de uma frente ampla contra o então presidente Jair Bolsonaro (PL). A união foi consolidada na eleição de 2022, vencida pelo petista, e teve como um de seus pilares a ampliação do diálogo com setores mais conservadores do eleitorado.
Ex-governador de São Paulo e uma das principais lideranças históricas do PSDB, Alckmin se filiou ao PSB para viabilizar a aliança com Lula. O gesto foi considerado decisivo para reduzir resistências ao nome do petista em segmentos do centro e da direita moderada.
Pressão do MDB e disputa pela vice
Agora, de olho na reeleição, Lula avalia a entrada de pelo menos mais um partido de peso em sua coligação. O MDB tem sido sondado, embora a operação seja considerada complexa, já que parte expressiva da legenda mantém distância do governo federal.
Aliados do presidente dentro do MDB têm defendido que a única forma de atrair o partido para a aliança nacional seria a oferta da vaga de vice-presidente. O tema foi discutido em dezembro com os senadores Renan Calheiros (AL) e Eduardo Braga (AM), ambos próximos ao Planalto, mas novas rodadas de negociação ainda não ocorreram.
Sinais ambíguos do Planalto
Na última quinta-feira (5), Lula afirmou publicamente que Alckmin teria “um papel a cumprir” nas eleições em São Paulo, declaração interpretada por setores do MDB como um indicativo de que o vice poderia disputar outro cargo, abrindo espaço na chapa presidencial.
Emedebistas envolvidos na articulação avaliam que a fala funcionou como um sinal verde para intensificar o debate interno no partido, embora cobrem do presidente gestos mais claros em direção à legenda.
Poucos dias depois, no entanto, Lula voltou a demonstrar apreço público por Alckmin durante a comemoração dos 46 anos do PT, em Salvador. Na ocasião, afirmou que teve sorte com seus vices e elogiou o atual companheiro de chapa, que participou do evento.
Nomes cotados no MDB
Caso a negociação avance, ao menos três nomes do MDB são citados como possíveis candidatos à vice-presidência: o ministro dos Transportes, Renan Filho; o governador do Pará, Helder Barbalho; e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.
No caso de Tebet, porém, o cenário mais provável apontado por aliados é uma candidatura ao Senado por São Paulo. Há, inclusive, a possibilidade de troca de partido, já que o MDB paulista apoia o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do bolsonarismo.







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